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A
colonização não foi interrompida com a conquista do Ceará. Ela prosseguiu em
direção ao norte, chegando à região do Maranhão, que era crucial devido à sua
localização próxima à foz do Rio Amazonas – a entrada atlântica que conduzia
aos depósitos de prata no Peru, o que gerou grande inquietação no governo
espanhol.
Filipe II, incentivou os portugueses a avançarem para essa área, desviando-os
da rota do Rio da Prata, que também levava às minas peruanas. As preocupações
do monarca eram justificadas, dada a relevância da região que despertou o
interesse da França.
Em 1612,
movidos pelo êxito na produção de açúcar, nobres e comerciantes franceses se
uniram para criar uma iniciativa comercial. Com o apoio do rei, eles tentaram
estabelecer uma colônia no Brasil, chamada França Equinocial, em uma vasta área
ainda não reivindicada pelos portugueses – hoje reconhecida como o estado do
Maranhão.
A França
Equinocial foi a segunda tentativa dos franceses de se firmarem no Brasil,
especificamente na área do Maranhão, entre os anos de 1612 e 1615.
A
expedição francesa, comandada por Daniel de La Touche, ergueu o Forte de São
Luís – uma homenagem ao rei da França – que deu origem à cidade de São Luís,
atual capital do Maranhão. Frente à possibilidade de perder parte de sua
colônia, os portugueses e espanhóis uniram forças para combater os invasores.
Após várias batalhas, os franceses se renderam, abandonando o Maranhão em 1615,
mas conseguiram uma indenização que compensava as perdas que acreditavam ter
sofrido.
Cientes
das dificuldades de ocupar o Grão-Pará, como a falta de estradas seguras, a
política espanhola priorizou, por meio de ações militares e colonização,
garantir o monopólio ibérico na região. Assim, no Natal de 1615, ocorreu um
ataque à foz do chamado "Rio das Amazonas", liderado por Francisco
Caldeira Castelo Branco, que havia lutado contra os franceses no Maranhão.
No início
de 1616, seguindo as ordens do governador-geral, os colonos construíram um
forte de madeira, que foi chamado de Presépio, o precursor da atual cidade de
Belém. Esta localização estratégica permitiu a vigilância contra possíveis
incursões estrangeiras. Com a colaboração dos índios tupinambás, construíram
uma igreja e algumas casas, estabelecendo o primeiro núcleo de ocupação, chamado
Nossa Senhora de Belém.
O nome
refere-se à região conquistada, por estar próxima à linha do Equador, que
anteriormente era conhecida como linha Equinocial. Esse episódio aconteceu após
a França Antártica, uma colônia francesa que durou cerca de quinze anos no Rio
de Janeiro.
Desde a
chegada dos portugueses às Américas, outras potências europeias começaram a
competir pelas terras descobertas com o intuito de explorá-las.
Durante
esse período, Portugal, que foi a principal potência marítima da Europa nos
séculos XV e XVI, estava disputando território nas Américas ao lado da Espanha.
Os espanhóis se destacaram quando Cristóvão Colombo chegou ao Caribe em 1492.
Por volta
de 1617, indivíduos e recursos começaram a chegar de várias regiões, tanto da
capitania de Pernambuco quanto do Reino, para fortalecer a área urbana. Entre
esses estavam frades franciscanos, encarregados de converter os nativos. No
entanto, essa presença se dava em um ambiente de conflitos entre colonizadores
e suas colônias, além da atividade de estrangeiros que comercializavam com as
tribos locais. Ingleses e holandeses ergueram fortes nas margens do Amazonas,
resultando em confrontos que exigiram intervenções do Reino e a mobilização da
população local, que incluía os índios sob a orientação dos franciscanos.
Além
disso, franceses e holandeses tentaram se estabelecer na costa da colônia
portuguesa nas Américas durante os séculos XVI e XVII. Apesar das várias
tentativas, os portugueses se dedicaram a proteger seu território contra essas invasões.
É
importante destacar que, no início, Portugal não havia enviado colonos para
essa região. As atividades econômicas eram limitadas ao comércio de pau-brasil
com os indígenas. Entretanto, sob a pressão sobre a área, a Coroa portuguesa
começou a enviar pessoas para povoar e estabelecer uma colônia.
A
colonização foi uma estratégia fundamental utilizada pela Coroa Portuguesa para
consolidar sua presença na região. Dessa forma, buscava-se prevenir as invasões
que aumentavam devido à ambição europeia por exploração e conquista.
Como
resultado, os franceses optaram por ocupar outra parte do território português.
Em março de 1612, uma expedição liderada por Daniel de La Touche se uniu aos
índios Tupinambás. As tribos indígenas já tinham contato com os franceses, pois
navegadores franceses haviam estado na região anteriormente. La Touche,
inclusive, já havia visitado o local em duas ocasiões anteriores.
Os
indígenas, por sua vez, chamavam os franceses de papagaios amarelos, em razão
de suas características loiras e falantes, que lembravam os pássaros. Assim,
estabeleceu-se uma segunda colônia francesa chamada “França Equinocial”, com
São Luís como a capital, em homenagem ao rei e ao santo patrono da França.
Embora
Daniel de La Touche fosse calvinista, ele trouxe frades capuchinhos na sua
frota, que realizaram a primeira missa na fundação da cidade. Em três anos, a
presença francesa se expandiu para as regiões que hoje correspondem a Pará,
Amapá e Tocantins.
Neste
intervalo, os portugueses estavam aliados aos espanhóis na União Ibérica, mas
não deixavam de lado as questões da colônia, sendo relevante recordar que os
espanhóis eram antigos rivais dos franceses.
Foram
designados como líderes Jerônimo de Albuquerque e Alexandre Moura, que
conseguiram reunir um grande contingente de tropas nativas e de ascendência
luso-espanhola. Após diversos confrontos, os franceses foram finalmente
derrotados em 1615.
Entretanto,
a ambição dos franceses de fundar uma colônia na América do Sul permaneceu.
Mais tarde, eles realizaram essa intenção no que hoje é conhecido como Guiana
Francesa, ao fundar Caiena em 1637.
Texto de Eugênio Pacelly Alves
Referências bibliográficas:
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A França Equinocial e a conquista do Maranhão e Grão-Pará. Disponível em: >(https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/america-portuguesa/8768-a-fran%C3%A7a-equinocial-e-a-conquista-do-maranh%C3%A3o-e-gr%C3%A3o-par%C3%A1)<. Acesso em 28 de outubro de 2024.
Jerônimo de Albuquerque e o comando da força naval contra os franceses no Maranhão. Disponível em: >(Jerônimo de Albuquerque e o comando da força naval contra os franceses no Maranhão)<. Acesso em 28 de outubro de 2024.
Caiena e a Guiana Francesa. Disponível em: >(https://bndigital.bn.gov.br/francebr/caiena.htm)<. Acesso em 28 de outubro de 2024.

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