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O movimento migratório no Ceará: reflexões a partir do Sertão dos Inhamuns
O fenômeno de migração no Ceará representa um
aspecto crucial da trajetória econômica e social do estado. Com base no artigo
"O movimento migratório no Ceará: evidências a partir da microrregião do
Sertão dos Inhamuns", elaborado por Cristiane e Castro Feitosa Melo e
Maria Lucia Brito da Cruz em 2016, podemos compreender as razões históricas,
econômicas e sociais que motivam esse movimento.
Contexto histórico da migração no Ceará
Os municípios que têm a maior parte de sua economia
voltada para a agropecuária de sequeiro (sem irrigação) são impactados
diretamente pela irregularidade das chuvas. A seca ocorrida em 1915 serviu como
pano de fundo para obras literárias, como o livro O Quinze, de Rachel de
Queiroz, além de marcar a criação do primeiro campo de concentração no Ceará,
localizado em Alagadiço, a oeste de Fortaleza. Em Alagadiço, acredita-se que
cerca de 8 mil pessoas estavam reunidas, sendo alimentadas minimamente e sob a
supervisão de soldados. Após o sofrimento da seca de 1915, o Ceará enfrentou
outra severa estiagem em 1932, que teve como uma de suas características a
construção de campos de concentração fora da capital, criados para prevenir que
um grande número de desabrigados chegasse a Fortaleza.
A microrregião do Sertão dos Inhamuns e a migração
A migração interna nos Sertões dos Inhamuns ocorreu
no início do século XVII, impulsionada por disputas territoriais entre as
famílias Monte e Feitosa, mesmo diante das dificuldades impostas pela
localização em uma região semiárida, no Nordeste do Brasil. A criação das
sesmarias, que são terras concedidas conforme a tradição portuguesa, na Colônia
da América, trouxe modificações espaciais que resultaram em novos arranjos
sociais, econômicos e culturais. Essa área é caracterizada por famílias que
historicamente tiveram laços próximos e os moradores mantiveram interações
frequentes. A família foi um elemento crucial na sociedade brasileira durante
grande parte de sua história, preenchendo a ausência do poder público efetivo.
Ao mesmo tempo, também foi responsável por desordens, já que ofensas a um
membro de uma família por outro eram frequentemente motivos de confrontos.
Fatores que impulsionam a migração
1. Condições climáticas
A seca permanece como o fator histórico mais importante que leva à migração no Ceará. A falta de água afeta a agricultura de subsistência e a criação de gado, forçando muitos a encontrar novas maneiras de garantir sua sobrevivência em áreas menos impactadas pelo clima.
2. Desigualdade socioeconômica
A concentração de propriedades e a escassez de oportunidades educacionais e de trabalho também são elementos cruciais. A população que tem menor acesso a recursos tende a migrar em busca de condições de vida mais favoráveis.
3. Conflitos por sesmarias
4. Secas
Texto de Eugênio Pacelly Alves
Referências bibliográficas:
Entenda o processo histórico da formação do território cearense. Disponível em: >(História | Entenda o processo histórico da formação do território cearense.)<. Acesso em 09 de setembro de 2021.
Exilados do sertão: migração cearense na seca de 1877. Disponível em: >(https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/61886)<. Acesso em 03 de fevereiro de 2022.

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