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sexta-feira, 7 de março de 2025

Entrevista com o escritor Eugênio Pacelly Alves

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Hoje temos a satisfação de conversar com o escritor e pesquisador genealógico cearense Eugênio Pacelly Alves do Nascimento aqui no Blog GuardaChuva Educação.

Com 37 anos, Eugênio Pacelly é oriundo de Fortaleza, Ceará, Brasil, ele é pai da pet Mashmello e começou a pesquisar a genealogia da família em 2018 a convite do seu primo de 3°. grau Edson Carlos Freitas Alves.

Essa experiência o levou a se familiarizar com a realidade da pesquisa genealógica paterna e a perceber que era necessário ir além das entrevistas a parentes. 

Pouco mais de 02 anos, Eugênio Pacelly criou o Blog GuardaChuva Educação, onde realiza de 02 a 03 publicações semanais sobre as famílias nordestinas do Brasil. Nesta entrevista, ele compartilha mais informações sobre seu trabalho no Blog e sobre a colaboração genealógica para outros ramos familiares.

Boa leitura!


Poderia falar um pouco mais sobre o seu trabalho com o site, sobre os seus objetivos e futuros projetos?

Desenvolvi o Blog como um recurso para mim e para outros que, assim como eu, estão em busca de suas raízes familiares nos arquivos paroquiais disponíveis na internet. Quando iniciei esse projeto, tive como inspiração o Blog Estórias&Histórias desenvolvido pelo Heitor Feitosa Macêdo, que, no entanto, deixou de realizar postagens há quase quatro anos. Para não precisar acessar repetidamente as páginas dos vários arquivos à procura de informações novas no meu ramo familiar Feitosa dos Inhamuns, me atentei a um recurso manual no FamilySearch que me notifica sobre todas as alterações que aparecem nos perfis em que selecionei o monitoramento, o qual ainda está em funcionamento no site. Atualmente, o Blog GuardaChuva Educação abrange somente as famílias nordestinas do Brasil, onde está subdividido em 03 temas sobre genealogia, história e outros assuntos correlacionados. Para o futuro, planejo implementar duas novas funcionalidades: 1) a transcrição de documentos indexados e 2) informações sobre a origem de cada freguesia com um link para a freguesia anterior. Além disso, o Blog também receberá melhorias visuais e contará com uma versão para surdos.


Como o Blog GuardaChuva Educação pode ajudar os leitores que têm família na região Nordeste do Brasil?

O Blog GuardaChuva Educação torna mais simples para todos, especialmente para os brasileiros, o acesso às informações sobre como estão estruturadas as postagens de acordo com o tema. Para verificar a existência e a localização sobre alguma família desejada, é necessário apenas digitar o sobrenome da família no campo pesquisar no Blog. Assim, em pouco tempo, você pode acessar todas as publicações referentes ao que está pesquisando e o melhor, todos os posts possuem referências bibliográficas, permitindo aos leitores ampliarem ainda mais o campo das suas pesquisas. 

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Como começou o seu interesse particular pela genealogia?

O meu interesse pela genealogia começou após o falecimento dos meus avós paternos, em 2009 e 2011 respectivamente. Me lembro que sempre perguntava ao meu pai, os nomes e apelidos dos meus ancestrais, mas era uma misturada tão grande de parentes casados entre si que logo dava um nó na minha mente e embaralhava todo o raciocínio. Mas, foi somente em 2018 após ter conhecido um primo de 2° grau com nome de Carlos Nascimento Alves que estava a passeio em Fortaleza/CE foi que a oportunidade me foi lançada. Passados dois meses que o primo Carlão havia retornado para Brasília/DF, foi quando o filho dele de nome Edson Carlos Freitas Alves lançou o convite para estudarmos a genealogia da família Saturnino de Nova Russas/CE. Dessa maneira, aceitei prontamente. Assim começou, Aluísio em Nova Russas/CE, Edson em Brasília/DF e eu em Fortaleza/CE com entrevistas a parentes.


Conte-nos um pouco mais sobre estes estudos genealógicos

Então, não achava bacana conhecer a parentela e rever outros em funerais. Num ambiente de tristeza onde não cabe brincadeiras e gargalhadas. Assim estava sendo na família por muitos anos.

Quando ainda pequeno e depois já adolescente, via com admiração a felicidade dos meus avós quando viajavam para Ipueiras/CE, Nova Russas/CE, Brasília/DF, Cuiabá/MT, Campo Grande/MS e Rio de Janeiro/RJ, para reencontrar e conhecer novos parentes.

Meus avós paternos, principalmente meu avô Chaga Marizô como era conhecido foi e é uma grande inspiração para união da família em momentos de alegria.

Desde o início do estudo genealógico da família Saturnino, descobrimos que éramos descendentes também da grande prole apelidada como família Capuxú da Serra dos Côcos, são aqueles ascendentes com sobrenome Chaves e Carvalho.

Com o estudo da família Saturnino concluído quase todo, a convite desafiador do meu primo Edson Carlos, partimos para esta nova saga familiar, estudar a genealogia da família Capuxú, com a finalidade de respondermos os contextos: quem são, de onde eram e onde estou inserido nessa família.

Caramba! Quando pensamos que estamos próximos de concluir, surgem novos parentes e inicia novo quebra-cabeça familiar. A família Capuxú é ou foi a maior família que povoou a fazenda Ipueiras, Diamante até o Curtume. Hoje em dia, quando visito Nova Russas e Ipueiras, ainda encontro grande descendência dessa ramificação.

Assim, pelo lado paterno, sou descendente da prole Capuxú da Serra dos Côcos, como também dos poderosos Feitosa do Sertão dos Inhamuns.

Já no ano de 2019, iniciei uma pesquisa genealógica tímida pelo meu lado materno. São aqueles ascendentes com sobrenome Rêgo Leite, Souza Rêgo, Pontes, Francelino, Nascimento, Queiroz, Pereira, Paiva, Pinheiro e Silva que residiram entre Touros/RN e Encanto/RN.


Você mencionou que trabalha em parceria com outros parentes que se tornaram pesquisadores genealógicos, correto? Quem são, onde moram e qual é o tamanho das suas árvores genealógicas paternas e maternas e quem é o antepassado mais remoto já encontrado?

Sim. Atualmente somos 03 comigo. São eles:

Edson Carlos Freitas Alves, residente em Brasília/DF e escritor dos exemplares “Maria Acauã (2020)” e “Cesário Patrício (2023)”.

Kelvin Ferreira de Carvalho, residente em Balneário do Camboriú/SC.

Eugênio Pacelly Alves, residente em Fortaleza/CE e escritor dos exemplares “Maria Acauã (2020)”, “Quem foi seu Jorge (2020)”, “A pintura da gratidão (2020)”, “Gritos malassombrados (2021)”, “Cesário Patrício (2023)” e “Família Francelino Queiroz (2023)”.

De forma indireta, somos beneficiados com recorrência por outros pesquisadores no FamilySearch, são eles: André Azevedo, Creomildo Carvalhedo, Joelson Franco, Edneudo Camelo, Elaine Machado, Everton Queiroz, Gerdilan Carvalho, João Pedro Morais, Jucelio Calaça, Leênio, Maciel Silva, Marcos Augusto, Margareth Almeida, Marivaldo Dantas, Miriam Souza, Miriam Rocha, Roberto Carneiro, Solange Soares e Wenerson Fernandes.

Minha árvore genealógica paterna no FamilySearch deve ter em torno de 10.000 perfis cadastrados e outros 50.000 a serem cadastrados. Já minha árvore genealógica materna no FamilySearch, devo ter em torno de 300 perfis cadastrados e outros 200 a serem cadastrados.

Até o presente momento dos estudos genealógicos paternos, estou parado nos ancestrais:

Estevão Alves Galvão, falecido em 1884 e foi casado com Isabel Maria Gonçalves.

Vicente José do Nascimento, nascido aproximadamente em 1810 em Ipueiras/CE e foi casado com Alexandrina Maria da Conceição.

Francisco Pedro de Araújo, nascido em 1824 e falecido em 1898 em Ipueiras/CE, foi casado com Martiniana Maria da Conceição.

João José do Nascimento, casado com Josefa Maria de Barros.

Francisco Gonçalves de Carvalho, casado com Thereza Maria da Conceição.

 

Pelo lado materno:

Marcellino Gonçalves do Nascimento, casado com Antônia Maria da Conceição.

José Pereira de Paiva, nascido em 1860, foi casado com Martinha Carmina do Amor Divino.

João Pinheiro da Silva, casado com Gonçalla Maria.

Manoel Francelino do Nascimento, nascido em 1862, foi casado com Ana Maria da Conceição.

Carolina Elcina de Queiroz, nascida aproximadamente em 1844 e foi casada com Delfino Horácio do Rêgo.

 

 Teve algum mistério que conseguiu desvendar através da genealogia?

Parece que ninguém se dedica a isso para resolver enigmas. Se alguém o faz, acabará se dando mal, porque a genealogia gera ainda mais perguntas sem respostas. Por exemplo, o que aconteceu com os registros paroquiais de Pau dos Ferros, Rio Grande do Norte durante alguns anos do século XIX? Esses fatos estão ligados aos anos de nascimento, matrimônios e óbitos de meus antepassados maternos, e por isso não consigo descobrir os nomes dos seus pais e avós.


Que conselhos você daria para aqueles que estão começando agora a pesquisar as suas famílias?

Meus conselhos são os seguintes:

1. Utilize um programa de genealogia – seja em seu computador (como o FamilySearch) ou crie sua árvore genealógica online (como no MyHeritage). A princípio, pode parecer que você consegue fazer tudo em um software de escritório, mas logo surgirão dificuldades para gerenciar as ligações entre as pessoas, algo que apenas um bom software de genealogia pode facilitar.

2. Registre tudo – para cada informação que você inserir, busque manter uma cópia em arquivo, inclusive dos registros paroquiais. Isso pode parecer desnecessário, mas em duas décadas, você poderá olhar para esses dados e gastar tempo tentando lembrar onde encontrou aquela informação específica.

3. Comece por si mesmo – é muito simples iniciar com seu nome, o de seus pais e prosseguir a partir daí; na verdade, é o único jeito de aplicar os conselhos mencionados. Solicite a sua certidão de nascimento e a dos seus pais, onde constarão os nomes dos seus avós e seus locais de nascimento, e então solicite as certidões dos seus avós, que trarão os nomes dos seus bisavós, e assim sucessivamente. Para registros de 1960 ou anteriores, você deverá usar livros online, microfilmes ou pedir cópias aos arquivos. Saber transcrever registros antigos é um diferencial.

4. Inclua o restante da família – talvez você pense que os outros acharão essa busca chata, mas todos ficarão curiosos sobre suas descobertas, e alguns até desejarão colaborar. Entre agora e o início dos registros em 1563 existem 462 anos, o que equivale a 18 gerações, ou seja, milhares de antepassados. Você realmente acredita que conseguirá encontrar todos eles sozinho?


E para alguém que já anda pesquisando há algum tempo mas que parece ter chegado a um beco sem saída?

Não há registros anteriores, seja porque o ano de 1563 foi atingido ou em razão de um incêndio na Igreja. Pode-se também deparar com um ‘exposto’ – um ente que foi deixado na roda dos expostos e cujo pai ou mãe é desconhecido. Existem situações em que os indivíduos acabam sendo reconhecidos pelos seus genitores. Nesses casos, o nome do(s) pai(s) anônimos é mencionado nos registros de casamento ou nascimento dos filhos ou netos. Existem disponíveis online alguns “livros de reconhecimentos”. Em gerações mais novas, é viável utilizar testes de DNA (como os disponíveis na MyHeritage) para evidenciar laços familiares entre uma pessoa e seus ancestrais desconhecidos com um descendente que tenha sido reconhecido. Com o crescimento das bases de dados de DNA para fins genealógicos e o avanço nas técnicas de comparação, métodos mais sofisticados poderão ser utilizados para superar esses impasses.

Contudo, o melhor conselho que posso oferecer é o mesmo que no filme Campo de Sonhos: "Se você construir, eles virão". Nesse contexto, ao disponibilizar sua árvore genealógica online (no FamilySearch e MyHeritage), há a possibilidade de que, um dia, você descubra que alguém possui a resposta para esse enigma e receberá essa informação quando menos esperar.


Muito obrigada Eugênio pela entrevista! Deixamos aqui os links dos exemplares escritos por ele para todos aqueles que descenderem da família Capuxú do Ceará, como também da família Francelino Queiroz de Taboleiro Grande e Pau dos Ferros no Rio Grande do Norte.

- Maria Acauã (2020)

- Família Francelino Queiroz (2023)



Tatiana Messias Diogo

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