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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

História da migração no Ceará: Secas, famílias sertanejas, colonização e formação do território cearense

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A história da migração no Ceará não pode ser compreendida apenas pelo deslocamento provocado pela falta de chuva. A formação das famílias sertanejas esteve ligada à ocupação das terras, à criação de gado, às concessões de sesmarias, às disputas de autoridade e à abertura de novos caminhos. Nesse processo, genealogia cearense, história do sertão, famílias antigas do Ceará e formação do território tornam-se caminhos complementares para interpretar a sociedade que se estabeleceu no interior.

Antônio Otaviano Vieira Junior demonstra que a estiagem interferia diretamente na mobilidade dos grupos familiares e observa que “a seca e a migração” precisam ser analisadas conjuntamente (VIEIRA JUNIOR, 2002). Sua leitura desloca o olhar de uma explicação exclusivamente climática para uma realidade em que sobrevivência, patrimônio, parentesco e circulação populacional estavam profundamente relacionados.

A pesquisa foi organizada pelo confronto entre estudos históricos, documentação institucional, produção acadêmica e registros utilizados em pesquisas genealógicas. O procedimento considerou quatro eixos: migração sertaneja, ocupação territorial, relações familiares e administração colonial.


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Processo migratório no Ceará

Algumas famílias colonizadoras do Ceará

Famílias antigas do Ceará


Ferreira (2013) oferece uma chave importante ao investigar os conflitos jurisdicionais existentes no sertão cearense. O autor evidencia que a ocupação não dependia somente da presença física dos colonizadores, mas também da definição de competências, autoridades e interesses sobre o espaço. A leitura permite perceber que o sertão era igualmente um território de negociação e disputa.

Leal (1990), por sua vez, relaciona o povoamento à expansão dos núcleos coloniais e aos deslocamentos provenientes de outras capitanias. Em sua interpretação, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba participaram das rotas que contribuíram para a ocupação do Ceará. O autor sintetiza esse movimento ao afirmar que “a conquista do Ceará tinha diversas origens” (LEAL, 1990, p. 72).

A migração sertaneja ganhou força quando as condições de sobrevivência se tornavam insuficientes. Vieira Junior (2002) demonstra que a estiagem atingia rebanhos, plantações, abastecimento e famílias, criando circunstâncias capazes de provocar deslocamentos. Assim, a mobilidade pode ser vista como uma estratégia familiar diante da escassez, e não simplesmente como uma consequência natural do clima.

Esse movimento também ajudou a espalhar sobrenomes, alianças matrimoniais e propriedades. Uma família que deixava determinada ribeira podia estabelecer novos vínculos em outra região, levando consigo relações de parentesco, práticas econômicas e referências culturais. É nesse ponto que a genealogia das famílias cearenses se aproxima da história territorial.

A formação do território, entretanto, exigia mais que deslocamento. Pontes (2010) mostra que a configuração territorial cearense resultou de sucessivas transformações administrativas, políticas e espaciais. O estudo ressalta que a divisão municipal atual possui raízes em processos históricos de ocupação e fragmentação territorial.

Essa perspectiva permite relacionar a genealogia aos lugares. Um sobrenome encontrado em registros paroquiais ou familiares não deve ser analisado isoladamente: é necessário investigar onde a família vivia, quais propriedades ocupava, com quem estabelecia alianças e por quais caminhos seus integrantes circulavam.

Ferreira (2013) acrescenta outra dimensão: os conflitos jurisdicionais revelam que diferentes autoridades disputavam competências sobre pessoas e espaços. A organização do sertão, portanto, envolvia relações de poder que ultrapassavam os limites de uma propriedade ou de uma família.

O material disponibilizado pelo Arquivo Nacional Digital de História Luso-Brasileira acrescenta documentação sobre as relações políticas entre Ceará e Pernambuco, mostrando que os vínculos regionais não se limitavam ao comércio ou à circulação de pessoas. A fonte deve ser tratada com cautela quanto à datação da própria página digital, pois o endereço fornecido não apresenta claramente um ano de publicação editorial.

A história da migração no Ceará resulta do encontro entre ambiente, economia, parentesco, autoridade e território. As secas podiam provocar deslocamentos; a pecuária estimulava a abertura de caminhos; as famílias ampliavam suas redes; as disputas jurisdicionais reorganizavam poderes; e a administração colonial transformava espaços de circulação em áreas de ocupação permanente.

Por isso, pesquisar famílias antigas do Ceará significa também investigar a formação do sertão. A genealogia, quando confrontada com documentos históricos e estudos territoriais, deixa de ser apenas uma sequência de nomes e passa a funcionar como instrumento para reconstruir trajetórias coletivas.

Pesquisar o passado sertanejo exige desconfiança diante das histórias prontas. Uma árvore genealógica pode indicar que alguém esteve em determinado lugar, mas não explica, sozinha, por que aquela pessoa chegou ali. É o cruzamento entre parentesco, território, documentação e contexto histórico que permite transformar uma lista de nomes em uma narrativa consistente.

Na minha avaliação, o maior valor desse tipo de investigação está justamente nas conexões. O deslocamento de uma família pode revelar uma antiga rota de criação de gado; um casamento pode aproximar duas propriedades; um conflito pode explicar a mudança de residência; uma sesmaria pode indicar o começo de uma linhagem local. Assim, estudar a formação do Ceará é também descobrir como pessoas comuns deixaram marcas profundas na paisagem social do sertão.


Notas de pesquisa:

Antônio Otaviano Vieira Junior. Estudo fundamental para compreender a relação entre seca, sobrevivência, mobilidade populacional e organização das famílias sertanejas. 

Josetalmo Virgínio Ferreira. Dissertação dedicada aos conflitos jurisdicionais no sertão do Ceará, contribuindo para compreender autoridades, disputas e organização administrativa do espaço colonial. 

Vinícius Barros Leal. Analisa as condições naturais e socioculturais da colonização, o povoamento e a participação das famílias pioneiras na formação do Ceará. 

Lana Mary Veloso de Pontes. Estudo sobre formação territorial, evolução político-administrativa e fragmentação do território cearense. A obra deriva de pesquisa de mestrado defendida anteriormente.

Arquivo Nacional Digital de História Luso-Brasileira. Fonte documental digital relacionada às conexões históricas entre Ceará e Pernambuco. 


Fontes primárias:

  • Documentação histórica reproduzida pelo Arquivo Nacional Digital de História Luso-Brasileira.

  • Requerimentos, cartas administrativas e documentos coloniais utilizados por Vieira Junior (2002).

  • Registros genealógicos originais, quando efetivamente conferidos nos arquivos de origem.


Fontes secundárias:
  • Antônio Otaviano Vieira Junior.

  • Josetalmo Virgínio Ferreira.

  • Vinícius Barros Leal.

  • Lana Mary Veloso de Pontes.


Fontes terciárias:
  • Catálogos e páginas institucionais utilizadas para localizar as obras.

  • Índices digitais de instituições históricas.

  • Páginas de divulgação e organização de acervos.


Hipóteses ou suposições:
  • Informações provenientes de transcrições do FamilySearch ainda não confrontadas com o documento original.

  • Datas, parentescos ou locais de residência encontrados exclusivamente em árvores genealógicas colaborativas.

  • Identificações familiares que dependam de confirmação por registros paroquiais, cartoriais ou documentos de propriedade.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

FERREIRA, Josetalmo Virgínio. Conflitos jurisdicionais no sertão do Ceará (1650-1750). 2013. 136 f. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2013. Disponível em: >(Conflitos jurisdicionais no sertão do Ceará (1650-1750))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

LEAL, Vinícius Barros. Colonização e povoamento do Ceará. Disponível em: >(Colonização e povoamento do Ceará)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

O Açoite da Seca: Família e Migração no Ceará (1780-1850). Disponível em: >(O Açoite da Seca: Família e Migração no Ceará (1780-1850))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

PONTES, Lana Mary Veloso de. Formação do Território e Evolução Político-Administrativa do Ceará: A Questão dos Limites Municipais. 2010. 92 f. Publicado por: INSTITUTO DE PESQUISA E ESTRATÉGIA ECONÔMICA DO CEARÁ - IPECE. Disponível em: >(Formação do Território e Evolução Político-Administrativa do Ceará: A Questão dos Limites Municipais)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

União de Pernambuco e Ceará. Disponível em: >(União de Pernambuco e Ceará)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Alagoas Colonial e Imperial: Sociedade, administração, famílias e poder na formação histórica alagoana

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Pesquisar a história de Alagoas exige ultrapassar a divisão simples entre período colonial e imperial. O território que posteriormente seria reconhecido como Alagoas esteve ligado à Capitania de Pernambuco, desenvolvendo núcleos de povoamento, atividades econômicas, relações familiares e mecanismos próprios de administração. Caetano (2013) mostra que a compreensão dessa formação passa pelas experiências de Porto Calvo, Penedo e Alagoas do Sul, cujas trajetórias contribuíram para produzir diferenças locais dentro do espaço pernambucano.

Para a genealogia, essa questão possui consequência direta: sobrenomes, casamentos, heranças, ocupação de terras, cargos públicos e relações de compadrio podem revelar como grupos familiares participaram da construção da sociedade alagoana.

A administração colonial alagoana não surgiu como estrutura isolada. Caetano (2013) registra que, para reorganizar o chamado “Sul de Pernambuco”, “a Coroa portuguesa resolveu criar a Comarca de Alagoas”. A medida estabeleceu uma referência administrativa envolvendo Porto Calvo, Penedo e Alagoas do Sul, aproximando espaços que possuíam atividades econômicas e dinâmicas sociais distintas.


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As câmaras municipais também ocupavam lugar decisivo nessa engrenagem. Eram espaços de participação dos chamados “homens bons”, ligados às elites locais, e tratavam de interesses concretos das vilas (2001, apud CAETANO, 2013), as câmaras ultramarinas integravam mecanismos de governo do Império português, funcionando como pontos de negociação entre interesses locais e autoridade régia. A documentação sobre Alagoas confirma que privilégios, serviços prestados, terras e recursos eram utilizados como argumentos nas solicitações encaminhadas à Coroa.

O estudo de Curvelo (2013) sobre a Câmara de Alagoas do Sul reforça essa dimensão. A pesquisa acompanha o cotidiano administrativo de uma vila situada em área predominantemente rural e demonstra que a administração não pode ser compreendida somente pelos grandes centros coloniais. Requerimentos, decisões camarárias e práticas locais permitem observar como o poder era exercido no cotidiano.

A sociedade alagoana também foi marcada por profundas desigualdades. Grandes proprietários, autoridades, comerciantes, religiosos, trabalhadores livres, indígenas, africanos e seus descendentes ocupavam posições diferentes na estrutura social. A chamada nobreza alagoana, por sua vez, esteve relacionada à concentração econômica e fundiária. 

A genealogia permite enxergar essa estrutura por meio das famílias. Casamentos entre determinados grupos, transmissão de propriedades, padrinhos de batismo, inventários e registros de cargos podem revelar alianças que não aparecem em narrativas políticas tradicionais. A trajetória de famílias ligadas a Penedo, por exemplo, demonstra como os deslocamentos entre Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Ceará produziram redes familiares que atravessaram diferentes gerações.

Outro aspecto indispensável é a história das famílias de pessoas escravizadas. A dissertação de Marilia Lima de Araújo, dedicada a Água Branca e ao Alto Sertão alagoano, acompanha relações familiares, casamentos, batismos, compadrios e estratégias de sobrevivência. A pesquisa registra uma sequência familiar que alcança várias gerações e conclui, em determinado episódio, que “a família consanguínea foi ampliada e fortalecida”.

Esse tipo de documentação modifica a maneira de fazer genealogia de Alagoas. O pesquisador não deve procurar somente famílias proprietárias ou indivíduos que ocuparam cargos. Registros paroquiais, ações judiciais, inventários, escrituras, documentos de liberdade e listas populacionais podem recuperar nomes de pessoas que aparecem pouco nas narrativas tradicionais. Araújo (2018) demonstra justamente a importância da combinação de diferentes séries documentais para reconstruir parentescos e experiências familiares.

A pesquisa deve combinar bibliografia histórica, documentos administrativos e fontes genealógicas. O primeiro procedimento consiste em identificar o território e sua vinculação administrativa em cada período. Depois, devem ser cruzados registros paroquiais, batismos, casamentos, óbitos, inventários, escrituras, processos judiciais e documentos de terras.

Na avaliação deste colunista, estudar Alagoas colonial e imperial pela perspectiva genealógica significa devolver pessoas às estruturas históricas. Uma comarca não era formada apenas por decretos; uma vila não existia somente nos mapas; uma família não era apenas um sobrenome. Havia indivíduos negociando terras, buscando privilégios, estabelecendo casamentos, criando filhos, mantendo compadrios e enfrentando conflitos.

A documentação também recomenda cautela com genealogias construídas exclusivamente a partir de árvores familiares disponíveis na internet. O parentesco precisa ser demonstrado por fontes independentes e, quando possível, confirmado por documentos de épocas diferentes.

Por isso, a história de Alagoas ganha outra dimensão quando administração, sociedade e genealogia são pesquisadas conjuntamente. A criação de estruturas administrativas, a atuação das câmaras, a influência das elites, as experiências camponesas e os vínculos familiares de pessoas escravizadas pertencem à mesma história. Para quem pesquisa suas origens, compreender essas relações pode ser mais esclarecedor do que simplesmente procurar um sobrenome famoso.


Notas de pesquisa:

CAETANO. Estudo fundamental para compreender a formação da identidade alagoana, a relação com Pernambuco, a criação da comarca e a atuação das elites locais. Discute os limites do conceito de Alagoas colonial e sua vinculação histórica à Capitania de Pernambuco.

FAPEAL. Reúne estudos e registros relacionados às comemorações e às interpretações sobre a formação histórica alagoana.

BARROS. Dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico útil para localizar pessoas, localidades e referências da história alagoana.

CURVELO. Examina o funcionamento da Câmara de Alagoas do Sul e suas práticas administrativas.

ARAÚJO. Reconstrói famílias, casamentos, batismos e redes de parentesco no Alto Sertão alagoano.

CLAUDIANO; OLIVEIRA. Reúne estudos sobre história social da América portuguesa e do Brasil imperial, oferecendo referências comparativas para compreender estruturas sociais e relações de poder.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Natália Cardoso



Referências bibliográficas:

200 anos de emancipação de Alagoas - Anais. Disponível em: >(200 anos de emancipação de Alagoas - Anais)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

ALAGOAS COLONIAL: IDENTIDADE, SOCIEDADE E PARTICULARIDADES. Disponível em: >(ALAGOAS COLONIAL " : IDENTIDADE, SOCIEDADE E PARTICULARIDADES)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

ARAÚJO, Marília Lima de. Família e relações de parentescos escravizados: Água Branca / Alto Sertão da província de Alagoas (1850-1888). 2018. 198 f. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2018. Disponível em: >(Família e relações de parentescos escravizados: Água Branca / Alto Sertão da província de Alagoas (1850-1888))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

BARROS, Francisco Reinaldo Amorim de. ABC das Alagoas : dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico das Alagoas. 2005. 592 f. Brasília: 2v (Edições do Senado Federal ; v. 62-A). Disponível em: >(https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/1104/739030_vI.pdf)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

CAETANO, Antônio Filipe Pereira. Justiça, Administração e Conflitos na Comarca das Alagoas (1712-1817). 2013. 18 f. XIV Jornadas Interescuelas/Departamentos de História, Universidad Nacional de Cuyo. Disponível em: >(Justiça, Administração e Conflitos na Comarca das Alagoas (1712-1817))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

CURVELO. Arthur Almeida Santos de Carvalho. GOVERNANÇA E COTIDIANO ADMINISTRATIVO NA AMÉRICA PORTUGUESA: O CASO DE ALAGOAS DO SUL (1668-1680). 2013. 16 f. Artigo científico (XXVII Simpósio Nacional de História), ANPUH, Natal, 2013. Disponível em: >(GOVERNANÇA E COTIDIANO ADMINISTRATIVO NA AMÉRICA PORTUGUESA: O CASO DE ALAGOAS DO SUL (1668-1680))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

CLAUDIANO, Leonardo S; OLIVEIRA, Francisco Isaac D. Da Colônia ao Império : história social da América portuguesa ao Império do Brasil — Séc. XVI ao XIX. Parnamirim, RN: Editora Biblioteca Ocidente, 2023. Disponível em: >(Da Colônia ao Império : história social da América portuguesa ao Império do Brasil — Séc. XVI ao XIX)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

Existe uma Alagoas Colonial?” Notas preliminares sobre os conceitos de uma conquista ultramarina. Disponível em: >(Existe uma Alagoas Colonial?” Notas preliminares sobre os conceitos de uma conquista ultramarina)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Origem do sobrenome Soares e algumas genealogias na região Nordeste do Brasil

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O sobrenome Soares ocupa posição de destaque entre as famílias de origem portuguesa que participaram dos movimentos migratórios em direção ao Brasil. Sua presença em registros paroquiais, documentos notariais e arquivos genealógicos demonstra ampla disseminação ao longo dos séculos, especialmente no Nordeste, em Minas Gerais e nas antigas áreas de ocupação colonial portuguesa.

A investigação sobre a origem do sobrenome Soares contribui para pesquisas sobre genealogia brasileira, árvores familiares portuguesas, sobrenomes antigos de Portugal e imigração portuguesa no Brasil, temas que despertam crescente interesse entre pesquisadores familiares e descendentes em busca de suas raízes.

O sobrenome Soares possui origem patronímica, derivando do nome próprio Suário ou Soeiro, bastante difundido na Península Ibérica durante a Idade Média. Conforme destaca o portal Pátria Cidadania, a designação significa literalmente "filho de Soeiro", seguindo padrão semelhante ao observado em sobrenomes como Rodrigues, Fernandes e Gonçalves (PÁTRIA CIDADANIA, 2026).


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Algumas genealogias na região Nordeste do Brasil


A formação patronímica constituiu prática comum na sociedade portuguesa medieval, permitindo identificar a filiação e facilitar a organização das comunidades locais. O portal Ancestry observa que o sobrenome espalhou-se inicialmente por regiões do norte de Portugal antes de alcançar outras áreas da monarquia portuguesa (ANCESTRY, 2022).

Os processos migratórios impulsionaram a chegada dos Soares ao território brasileiro durante a colonização portuguesa. Segundo levantamento do GeneaMinas, diversos troncos familiares estabeleceram-se em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Ceará, contribuindo para a expansão territorial e para a formação de novas comunidades familiares (GENEAMINAS, s.d.).

O estudo publicado pela plataforma Buscando Ancestrais registra que parte dessas famílias participou da interiorização da ocupação portuguesa, acompanhando ciclos econômicos ligados à mineração, à pecuária e à agricultura (BUSCANDO ANCESTRAIS, 2014).

A pesquisa da plataforma WebArtigos destaca que os grupos familiares Soares desenvolveram múltiplas ramificações e passaram a integrar redes matrimoniais com outras linhagens tradicionais da sociedade brasileira (WEBARTIGOS, 2010). Em análise indireta, percebe-se que a permanência do sobrenome ao longo das gerações decorre tanto da transmissão hereditária quanto da preservação da memória familiar.

Em citação direta, o portal Pátria Cidadania afirma que "o sobrenome Soares preserva uma forte ligação com a tradição patronímica portuguesa" (PÁTRIA CIDADANIA, 2026, p. s/n), característica que explica sua ampla ocorrência no Brasil e em outros países lusófonos.

A dispersão geográfica do sobrenome produziu adaptações regionais e múltiplos ramos familiares. O portal Ancestry ressalta que a expansão dos Soares acompanhou os principais fluxos migratórios portugueses para a América (ANCESTRY, 2022).

Nesse contexto, pode-se utilizar a interpretação de Leite de Vasconcelos, citado por diversos pesquisadores da antroponímia portuguesa, segundo a qual os sobrenomes patronímicos constituem importante instrumento para compreender movimentos populacionais e relações familiares ao longo da história (VASCONCELOS apud WEBARTIGOS, 2010). 

Os estudos contemporâneos sobre genealogia digital também ampliaram o acesso às informações familiares. Plataformas especializadas permitem identificar conexões entre diferentes ramos dos Soares espalhados pelo Brasil e pelo exterior, fortalecendo a preservação da memória familiar e do patrimônio cultural associado às linhagens portuguesas.

A trajetória do sobrenome Soares acompanha parte significativa da história da presença portuguesa no Brasil. Sua origem patronímica, a dispersão geográfica e a permanência em diversas regiões demonstram a capacidade de adaptação das famílias ao longo dos diferentes ciclos históricos brasileiros.

Mais do que um simples nome de família, o sobrenome Soares constitui elemento relevante para a reconstrução de trajetórias familiares e para a compreensão dos movimentos migratórios que contribuíram para a formação da sociedade brasileira.

A genealogia deixou de ser atividade restrita aos arquivos e passou a ocupar espaço relevante entre pesquisadores independentes e famílias interessadas em preservar suas memórias. O estudo dos sobrenomes oferece pistas valiosas sobre deslocamentos populacionais, alianças matrimoniais e processos históricos frequentemente ausentes das narrativas tradicionais.

No caso dos Soares, a ampla dispersão territorial demonstra como as famílias portuguesas participaram da construção econômica e social do Brasil. Conhecer essas trajetórias significa preservar vínculos e fortalecer o sentimento de pertencimento às histórias familiares.


Oferecemos este breve ensaio genealógico da prole Soares na Bahia, tendo como ponto de partida, Felippe José Soares, nascido aproximadamente em 1781 e que se casou com Maria Ramos de Jesus.


Com a intenção de ampliar as pesquisas sobre possíveis ascendentes estrangeiros com sobrenome Soares na região Nordeste do Brasil, seguem mais alguns dados relevantes:

Bahia: Joaquim José Soares, nascido aproximadamente em 1808 e se casou com Maria das Dores, ela sendo filha de Manuel José dos Santos e Custódia Maria dos Passos.

Sergipe: Francisco Antônio Soares, nascido aproximadamente em 1809 e se casou com Antônia Maria do Espírito Santo. Desse matrimônio tiveram 01 filho.

Alagoas: Maria Roza Soares, nascida aproximadamente em 1810 e se casou com Antônio Jerônimo da Rocha, ele sendo filho de Francisco Gerônimo Alves da Rocha e Maria Vieira da Rocha. Desse matrimônio tiveram 12 filhos.

Pernambuco: Francisca Maria Soares, nascida aproximadamente em 1810 e se casou com José Antônio dos Santos. Desse matrimônio tiveram 08 filhos.

Paraíba: Antônio Francisco Soares, nascido aproximadamente em 1800 e se casou com Angélica Bizerra Lima. Desse matrimônio tiveram 05 filhos.

Rio Grande do Norte: Florinda Esmeraldina Joaquina Soares, nascida aproximadamente em 1800 e se casou com o Capitão José Bento Álvares, ele sendo filho de José Lucas Álvares e Maria D'Apresentação. Desse matrimônio tiveram 02 filhos.

Ceará: Manoel Joaquim Soares, nascido aproximadamente em 1815 e se casou com Maria José do Nascimento, ela sendo filha de José Lopes Cabreira Junior e Maria Francisca do Nascimento. Desse matrimônio tiveram 01 filha.

Piauí: Pantaleão Soares, nascido aproximadamente em 1790 e se casou com Benedita Maria do Carmo, ela sendo filha do Capitão Duarte Teixeira de Souza e Vitória Maria do Nascimento. Desse matrimônio tiveram 03 filhos.

Maranhão: Maria Raimunda Soares, nascida aproximadamente em 1810 e se casou com João José Côrte Maciel, ela sendo filha do Capitão Duarte Teixeira de Souza e Vitória Maria do Nascimento. Desse matrimônio tiveram 03 filhos.


Notas de pesquisa

FamilySearch. Trata-se de uma fonte estruturada, voltada para registros históricos e genealógicos, o que garante maior confiabilidade na interpretação do sentido original do nome.

Pátria Cidadania. Analisa a origem etimológica do sobrenome Soares e sua relação com a tradição patronímica portuguesa.

Web Artigos. Apresenta panorama histórico das famílias Soares e suas ramificações brasileiras.

Ancestry. Reúne informações sobre distribuição geográfica e expansão internacional do sobrenome.

Genea Minas. Desenvolve levantamentos genealógicos relacionados aos troncos familiares estabelecidos em Minas Gerais e no Brasil.

Buscando Ancestrais. Examina processos migratórios e a formação das linhagens Soares no território brasileiro.


Aviso importante

Os dados da árvore genealógica apresentados neste artigo foram extraídos do FamilySearch na data da publicação. Por isso, eventuais alterações feitas depois nos perfis das pessoas citadas na plataforma não aparecerão automaticamente aqui. Este conteúdo registra o estado da pesquisa naquele momento e serve como referência da versão consultada pelos leitores.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Antônio Francisco Soares. Disponível em: >(familysearch.org/pt/tree/person/9J2M-YP5)<. Acesso em 09 de julho de 2025.

Antônio Francisco Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/9NLL-LS8)<. Acesso em 04 de março de 2025.

FAMÍLIA SOARES. Disponível em: >(FAMÍLIA SOARES (WEB ARTIGOS))<. Acesso em 09 de julho de 2025.

Felippe José Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/P39K-PXD)<. Acesso em 04 de março de 2025.

Florinda Esmeraldina Joaquina Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GT49-D8Q)<. Acesso em 04 de março de 2025.

Francisca Maria Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/96H3-GYZ)<. Acesso em 07 de março de 2025.

Francisco Antônio Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/PWH4-FFZ)<. Acesso em 09 de março de 2025.

Joaquim José Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/GD9R-JJ1)<. Acesso em 04 de março de 2025.

Manoel Joaquim Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GTVR-KCJ)<. Acesso em 16 de março de 2025.

Maria Raimunda Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/P7VH-DWG)<. Acesso em 21 de fevereiro de 2025.

Maria Rosa da Conceição. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/MH96-HWM)<. Acesso em 04 de março de 2025.

Pantaleão Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/P7VH-DWG)<. Acesso em 07 de março de 2025.

Origem da família Soares. Disponível em: >(Origem da família Soares (Buscando Ancestrais))<. Acesso em 09 de março de 2025.

Origem do Sobrenome Soares: História e Significado. Disponível em: >(Origem do Sobrenome Soares: História e Significado (PÁTRIA CIDADANIA))<. Acesso em 04 de março de 2025.

Sobrenome Soares. Disponível em: >(Sobrenome Soares (Genea Minas))<. Acesso em 04 de março de 2025.

Significado do sobrenome Soares. Disponível em: >(Significado do sobrenome Soares (Ancestry))<. Acesso em 07 de março de 2025.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

DNA e genealogia: Como a ancestralidade genética ajuda a compreender a história das famílias brasileiras

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A busca pela origem familiar ganhou uma nova ferramenta com a popularização dos testes de DNA. Para quem pesquisa genealogia brasileira, entretanto, o resultado genético não deve ser tratado como resposta isolada. Ele precisa ser relacionado aos documentos, aos sobrenomes, aos deslocamentos geográficos e às histórias transmitidas entre gerações.

A formação da população brasileira resulta de encontros, deslocamentos e processos históricos envolvendo povos indígenas, africanos, europeus e outros grupos. 

O teste de DNA pode encontrar correspondências entre pessoas e indicar componentes de ancestralidade genética. Mineiro (2024) explica que os testes comercializados diretamente ao consumidor podem utilizar marcadores autossômicos, DNA mitocondrial e regiões do cromossomo Y, cada qual oferecendo informações diferentes sobre as linhagens investigadas.


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A diferença é importante para o genealogista. O DNA mitocondrial acompanha uma linhagem materna específica, enquanto o cromossomo Y permite acompanhar determinada linha paterna. Já os marcadores autossômicos abrangem segmentos herdados de diferentes antepassados e podem contribuir para a identificação de parentescos mais recentes.

A pesquisa de Kimura, Lemes e Nunes (2022) chama atenção para a popularização dos testes de ancestralidade e para a necessidade de compreender os conceitos de genética de populações que sustentam seus resultados. Os autores também alertam para possíveis usos inadequados dessas informações, inclusive quando resultados genéticos são empregados para criar separações sociais.

Há, portanto, uma diferença entre ancestralidade genética e genealogia. Uma árvore genealógica procura reconstruir pessoas, casamentos, filiações, localidades e gerações por meio de evidências. O DNA trabalha com padrões de herança biológica. As duas áreas podem conversar, mas não representam a mesma coisa.

Outro ponto merece atenção: o DNA pode revelar uma história diferente daquela preservada pela tradição familiar. Uma correspondência genética pode aproximar pessoas que desconheciam um ancestral comum, enquanto uma narrativa transmitida durante décadas pode não encontrar confirmação documental.

Mineiro (2024) registra justamente essa tensão ao estudar consumidores de testes genéticos. A autora mostra que os resultados podem modificar a compreensão que indivíduos possuem sobre parentesco e família. Em sua pesquisa, aparece uma pergunta especialmente pertinente: “como eu sei que estou preenchendo lacunas precisas com informações corretas?” (HAZEL et al., 2021, p. 5 apud MINEIRO, 2024).

Essa é uma citação da citação e representa uma questão central para qualquer pesquisa genealógica: uma informação aparentemente convincente precisa ser confrontada com outras evidências.

A discussão também alcança identidade e raça. Nicoladeli (2025), ao analisar a obra de Sarah Abel, observa que os testes genéticos podem participar da construção de identidades e de interpretações sobre pertencimento. A genética, quando apresentada como explicação definitiva sobre quem uma pessoa é, pode simplificar uma história familiar muito mais extensa.

Para investigar DNA e genealogia, o procedimento mais seguro começa pela documentação. Devem ser levantados registros de nascimento, batismo, casamento, óbito, inventários, escrituras, jornais, documentos de imigração e outras fontes capazes de estabelecer relações entre indivíduos.

Depois, os resultados genéticos podem ser comparados com a árvore genealógica. Uma correspondência de DNA ganha maior significado quando coincide com uma linha familiar sustentada por registros independentes.

O pesquisador também deve registrar a origem de cada informação, separar hipóteses de fatos comprovados e evitar conclusões baseadas somente em percentuais de ancestralidade. A composição apresentada por uma empresa de testes depende de bancos de referência e dos marcadores utilizados. A própria Genera informa que seu estudo sobre o DNA brasileiro representa um recorte de pessoas que realizaram os testes, não a totalidade da população brasileira.

Na avaliação deste colunista, o maior valor do DNA na genealogia está justamente na possibilidade de aproximar duas formas de investigação: a memória registrada nos documentos e a herança biológica transmitida entre gerações.

O resultado genético não deve apagar a história familiar encontrada em certidões, livros paroquiais ou inventários. Da mesma forma, uma tradição familiar não precisa ser descartada apenas porque um teste apresentou uma composição diferente da esperada. O caminho mais produtivo é confrontar as evidências.

A genealogia brasileira ganha força quando deixa de procurar apenas sobrenomes famosos e passa a observar também migrações, casamentos, parentescos, relações sociais e trajetórias de pessoas comuns. Nesse percurso, o DNA pode abrir uma porta, mas são as fontes históricas que ajudam a descobrir quem atravessou essa porta e qual foi sua trajetória.


Notas de pesquisa

MINEIRO. Pesquisa antropológica sobre consumidores de testes de ancestralidade genética e os efeitos desses resultados sobre as noções de família e parentesco.

KIMURA; LEMES; NUNES. Apresenta fundamentos dos testes de ancestralidade e discute suas implicações sociais.

NICOLADELI. Analisa criticamente as relações entre testes genéticos, identidade, raça e corpo.

Genera. Apresenta levantamento realizado a partir de mais de 200 mil amostras, ressaltando que o conjunto analisado representa apenas uma parcela da população.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Patrício Holanda



Referências bibliográficas:

Ancestralidade. Disponível em: >(Ancestralidade)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

Estudo da Genera revela a ancestralidade do DNA brasileiro. Disponível em: >(Estudo da Genera revela a ancestralidade do DNA brasileiro)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

MINEIRO, Jadhe Santana Azevedo. A busca por parentes (bio)revelados: um estudo antropológico sobre famílias entre consumidores de testes de ancestralidade genética. 2024. 20 f. Artigo científico (Trabalho apresentado na 34ª Reunião Brasileira de Antropologia), UNB, Brasília, 2024. Disponível em: >(A busca por parentes (bio)revelados: um estudo antropológico sobre famílias entre consumidores de testes de ancestralidade genética)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

NICOLADELI, Ângelo Tenfen. Testes genéticos de ancestralidade: entre raça, corpo e genoma. 2025. 3 f. Disponível em: >(Testes genéticos de ancestralidade: entre raça, corpo e genoma)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Assassinato de João Pessoa e Revolta de Princesa: O que aconteceu na Paraíba e como a Revolução de 1930 mudou essa história

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Oferecimento da Rubble Assessoria de Investimentos

(Texto compartilhado no dia 03 de fevereiro de 2026 por José Tavares de Araújo Neto)

O assassinato de João Pessoa ocupa lugar singular na história política da Paraíba e na crise que envolveu a República Velha. Mais do que examinar apenas a autoria material do crime, é necessário observar como diferentes interpretações foram construídas depois do episódio e como a Revolta de Princesa passou, progressivamente, a ser relacionada à morte do presidente paraibano.

O debate permanece aberto. O texto publicado por José Tavares de Araújo Neto sustenta que houve uma mudança significativa entre as primeiras investigações e a interpretação posterior do caso, destacando a passagem de uma explicação centrada em motivações pessoais para outra baseada na hipótese de conspiração política (TAVARES NETO, 2026). Já o Atlas Histórico do Brasil, da Fundação Getulio Vargas, registra que o assassinato ocorreu por razões pessoais, embora tenha sido imediatamente aproveitado politicamente pela oposição ao governo federal (FGV, s.d.). (Blog do João Costa)

A questão, portanto, não se resume a perguntar quem matou João Pessoa. É preciso perguntar como o crime foi interpretado, quem produziu essas interpretações e quais interesses políticos foram associados a elas.


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A pesquisa adota abordagem histórico-documental e historiográfica, confrontando fontes acadêmicas, institucionais e de divulgação histórica. Foram cotejados o estudo de Bruno Miguel Drude, a dissertação de Auricélia Maria da Silva, a monografia de Guilherme Alves Cavalcante, o Atlas Histórico da FGV, o artigo de José Tavares de Araújo Neto, o estudo de Rostand Medeiros e o trabalho de Márcia Almada e Rodrigo Bentes Monteiro.

O procedimento privilegia a comparação entre versões, procurando distinguir acontecimento, interpretação e representação. Drude (2017), por exemplo, relaciona a Revolta de Princesa às tensões entre federalismo, tributação, reforma administrativa e reação oligárquica, permitindo compreender o conflito para além de uma simples disputa pessoal. (PPGDC UFF)

A Revolta de Princesa surgiu em meio ao choque entre o governo estadual de João Pessoa e o poder político de José Pereira. O conflito possuía dimensões econômicas, administrativas e eleitorais. O Atlas da FGV registra que o movimento congregou a oposição paraibana ao governo estadual e contou com apoio do governo federal, demonstrando que Princesa já estava inserida em uma disputa política de alcance mais amplo (FGV, s.d.). (Atlas Histórico do Brasil)

Nesse ambiente, a morte de João Pessoa ganhou significado que ultrapassou o próprio crime. A narrativa apresentada por Tavares Neto (2026) sustenta que a investigação posterior deslocou o foco da autoria material para a existência de uma possível conspiração, fazendo da Revolta de Princesa uma peça importante dessa reconstrução política. (Blog do João Costa)

A documentação, entretanto, recomenda cautela. O Atlas da FGV afirma expressamente que o crime ocorreu por razões pessoais e que os dirigentes da Aliança Liberal utilizaram politicamente o assassinato para responsabilizar o governo federal. (Atlas Histórico do Brasil) Essa divergência é fundamental: ela demonstra que não se deve transformar uma interpretação historiográfica em certeza documental sem considerar as fontes concorrentes.

Cavalcante (2018) chama atenção justamente para esse problema ao analisar a produção historiográfica sobre João Pessoa e José Pereira. Seu estudo mostra a presença de representações maniqueístas, nas quais os personagens podem aparecer alternadamente como heróis ou vilões, conforme o lugar ocupado pelo autor diante do acontecimento. (DSpace)

Silva (2020) aprofunda essa discussão ao examinar como jornais diferentes construíram imagens distintas de José Pereira. Segundo a autora, A União e o Jornal do Commercio produziram representações divergentes do líder de Princesa, revelando que a informação jornalística também participava da disputa pela memória do conflito (SILVA, 2020).

O relato de Rostand Medeiros também contribui para a reconstrução do cenário sertanejo. O autor descreve a Revolta de Princesa como resultado de disputas políticas e econômicas entre lideranças regionais, destacando a força de José Pereira e a dimensão armada do movimento (MEDEIROS, 2015). (TOK de HISTÓRIA - ROSTAND MEDEIROS)

Já o artigo de Tavares Neto (2026) oferece uma interpretação diretamente voltada à relação entre o assassinato de João Pessoa e a posterior releitura da Revolta de Princesa. Seu valor está justamente em provocar uma pergunta incômoda: até que ponto uma ruptura política modifica a maneira como acontecimentos anteriores são explicados? (Blog do João Costa)

A análise das fontes permite compreender o assassinato de João Pessoa como acontecimento situado na interseção entre violência privada, conflito regional e crise política nacional. A relação entre o crime e a Revolta de Princesa não deve ser aceita nem descartada de maneira automática.

O ponto mais consistente da pesquisa está na existência de diferentes camadas interpretativas. Drude (2017) evidencia as tensões institucionais; Cavalcante (2018) questiona a escrita maniqueísta; Silva (2020) demonstra o peso das representações jornalísticas; a FGV apresenta uma interpretação que enfatiza as motivações pessoais do crime; e Tavares Neto (2026) chama atenção para a transformação política posterior da narrativa. (PPGDC UFF)

Assim, a Revolta de Princesa não deve ser vista apenas como pano de fundo do assassinato de João Pessoa. Ela constitui uma chave para compreender as disputas de poder, as representações políticas e os mecanismos pelos quais uma sociedade reorganiza sua memória depois de uma ruptura histórica.

Há uma pergunta que precisa permanecer aberta: quem ganhou quando a história do assassinato de João Pessoa passou a ser contada como parte de uma grande conspiração?

Não se trata de absolver personagens nem de fabricar culpados. O trabalho do historiador é mais difícil: separar aquilo que aconteceu daquilo que foi dito sobre o acontecimento.

A Revolta de Princesa já possuía existência política própria. Havia disputa pelo poder estadual, resistência de grupos locais, interesses econômicos, tensão tributária, confrontos armados e uma profunda divisão entre lideranças. Transformar posteriormente esse conflito em explicação automática para o assassinato pode simplificar uma realidade muito mais complexa.

Também seria inadequado fazer o movimento inverso e retirar completamente Princesa da crise nacional. As fontes demonstram que o conflito sertanejo estava conectado às disputas políticas que atravessavam a Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e o governo federal. (Atlas Histórico do Brasil)

Minha leitura, portanto, é que a verdadeira riqueza histórica está justamente na contradição. João Pessoa pode ser estudado como vítima de um crime de motivação pessoal e, simultaneamente, como personagem cuja morte adquiriu enorme utilidade política. Princesa pode ser compreendida como conflito regional e, ao mesmo tempo, como episódio incorporado à crise nacional.

É nesse espaço entre o fato e sua interpretação que a pesquisa histórica ganha força. A memória não é uma fotografia parada. Ela é construída, disputada e, muitas vezes, reconstruída quando o poder muda de mãos.


Notas de pesquisa

Blog do João Costa. Apresenta a tese da mudança interpretativa entre as investigações do assassinato de João Pessoa e relaciona essa transformação à incorporação da Revolta de Princesa à narrativa política posterior.

DRUDE. Analisa a Revolta de Princesa sob perspectiva jurídico-institucional, relacionando federalismo, tributação, reforma administrativa e reação oligárquica. 

Atlas Histórico do Brasil. Reconstitui a crise política que envolveu João Pessoa, José Pereira, Princesa e a Revolução de 1930, apresentando também a interpretação de que o assassinato teve razões pessoais e posterior aproveitamento político. 

SILVA. Estuda as representações construídas sobre José Pereira, especialmente por meio dos jornais A União e Jornal do Commercio, mostrando como diferentes veículos produziram imagens políticas divergentes do mesmo personagem.

DSpace. Examina a historiografia paraibana sobre João Pessoa e José Pereira e identifica a presença de construções maniqueístas na representação dos personagens. 

TOK DE HISTÓRIA. Reconstitui aspectos políticos, econômicos e militares da Revolta de Princesa, oferecendo elementos para compreender a dimensão sertaneja do conflito. 


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Atlas Histórico do Brasil. Disponível em: >(https://atlas.fgv.br/verbete/5458)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

A REVOLTA DE PRINCESA – GUERRA NA CAATINGA. Disponível em: >(A REVOLTA DE PRINCESA – GUERRA NA CAATINGA)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

CAVALCANTE, Guilherme Alves. Na história nem heróis nem vilões: analisando uma escrita maniqueista na historiografia paraibana sobre João Pessoa e José Pereira. 2018. 105 f. Monografia (Licenciatura em História), Universidade Federal de Campina Grande, João Pessoa, 2018. Disponível em: >(Na história nem heróis nem vilões: analisando uma escrita maniqueista na historiografia paraibana sobre João Pessoa e José Pereira )<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

DRUDE, Bruno Miguel. FEDERALISMO NA CONSTITUIÇÃO DE 1891: A REVOLTA DE PRINCESA GUERRA TRIBUTÁRIA, REFORMA ADMINISTRATIVA E A REAÇÃO OLIGÁRQUICA. 2017. 190 f. Dissertação (Pós Graduação em Direito Constitucional), Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: >(FEDERALISMO NA CONSTITUIÇÃO DE 1891: A REVOLTA DE PRINCESA GUERRA TRIBUTÁRIA, REFORMA ADMINISTRATIVA E A REAÇÃO OLIGÁRQUICA)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

O Discurso e a Noticia: Manuscritos sobre a revolta de 1720 atribuídos a Pedro Miguel de Almeida, 3 o conde de Assumar. Disponível em: >(O Discurso e a Noticia: manuscritos sobre a revolta de 1720 atribuídos a Pedro Miguel de Almeida, 3 o conde de Assumar)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

Revolta de Princesa: A reinterpretação do Assassinato de João Pessoa. Disponível em: >(Revolta de Princesa: a reinterpretação do Assassinato de João Pessoa)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

SILVA, Auricélia Maria da. DE LOUCO E CANGACEIRO A VALENTE E DESTEMIDO: As representações sobre o coronel José Pereira na Guerra de Princesa (PB). 2020. 99 p. Dissertação (Mestrado em Ciências da Informação), Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2020. Disponível em: >(DE LOUCO E CANGACEIRO A VALENTE E DESTEMIDO: As representações sobre o coronel José Pereira na Guerra de Princesa (PB))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.