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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Origem do sobrenome Soares e algumas genealogias na região Nordeste do Brasil

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O sobrenome Soares ocupa posição de destaque entre as famílias de origem portuguesa que participaram dos movimentos migratórios em direção ao Brasil. Sua presença em registros paroquiais, documentos notariais e arquivos genealógicos demonstra ampla disseminação ao longo dos séculos, especialmente no Nordeste, em Minas Gerais e nas antigas áreas de ocupação colonial portuguesa.

A investigação sobre a origem do sobrenome Soares contribui para pesquisas sobre genealogia brasileira, árvores familiares portuguesas, sobrenomes antigos de Portugal e imigração portuguesa no Brasil, temas que despertam crescente interesse entre pesquisadores familiares e descendentes em busca de suas raízes.

O sobrenome Soares possui origem patronímica, derivando do nome próprio Suário ou Soeiro, bastante difundido na Península Ibérica durante a Idade Média. Conforme destaca o portal Pátria Cidadania, a designação significa literalmente "filho de Soeiro", seguindo padrão semelhante ao observado em sobrenomes como Rodrigues, Fernandes e Gonçalves (PÁTRIA CIDADANIA, 2026).


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Algumas genealogias na região Nordeste do Brasil


A formação patronímica constituiu prática comum na sociedade portuguesa medieval, permitindo identificar a filiação e facilitar a organização das comunidades locais. O portal Ancestry observa que o sobrenome espalhou-se inicialmente por regiões do norte de Portugal antes de alcançar outras áreas da monarquia portuguesa (ANCESTRY, 2022).

Os processos migratórios impulsionaram a chegada dos Soares ao território brasileiro durante a colonização portuguesa. Segundo levantamento do GeneaMinas, diversos troncos familiares estabeleceram-se em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Ceará, contribuindo para a expansão territorial e para a formação de novas comunidades familiares (GENEAMINAS, s.d.).

O estudo publicado pela plataforma Buscando Ancestrais registra que parte dessas famílias participou da interiorização da ocupação portuguesa, acompanhando ciclos econômicos ligados à mineração, à pecuária e à agricultura (BUSCANDO ANCESTRAIS, 2014).

A pesquisa da plataforma WebArtigos destaca que os grupos familiares Soares desenvolveram múltiplas ramificações e passaram a integrar redes matrimoniais com outras linhagens tradicionais da sociedade brasileira (WEBARTIGOS, 2010). Em análise indireta, percebe-se que a permanência do sobrenome ao longo das gerações decorre tanto da transmissão hereditária quanto da preservação da memória familiar.

Em citação direta, o portal Pátria Cidadania afirma que "o sobrenome Soares preserva uma forte ligação com a tradição patronímica portuguesa" (PÁTRIA CIDADANIA, 2026, p. s/n), característica que explica sua ampla ocorrência no Brasil e em outros países lusófonos.

A dispersão geográfica do sobrenome produziu adaptações regionais e múltiplos ramos familiares. O portal Ancestry ressalta que a expansão dos Soares acompanhou os principais fluxos migratórios portugueses para a América (ANCESTRY, 2022).

Nesse contexto, pode-se utilizar a interpretação de Leite de Vasconcelos, citado por diversos pesquisadores da antroponímia portuguesa, segundo a qual os sobrenomes patronímicos constituem importante instrumento para compreender movimentos populacionais e relações familiares ao longo da história (VASCONCELOS apud WEBARTIGOS, 2010). 

Os estudos contemporâneos sobre genealogia digital também ampliaram o acesso às informações familiares. Plataformas especializadas permitem identificar conexões entre diferentes ramos dos Soares espalhados pelo Brasil e pelo exterior, fortalecendo a preservação da memória familiar e do patrimônio cultural associado às linhagens portuguesas.

A trajetória do sobrenome Soares acompanha parte significativa da história da presença portuguesa no Brasil. Sua origem patronímica, a dispersão geográfica e a permanência em diversas regiões demonstram a capacidade de adaptação das famílias ao longo dos diferentes ciclos históricos brasileiros.

Mais do que um simples nome de família, o sobrenome Soares constitui elemento relevante para a reconstrução de trajetórias familiares e para a compreensão dos movimentos migratórios que contribuíram para a formação da sociedade brasileira.

A genealogia deixou de ser atividade restrita aos arquivos e passou a ocupar espaço relevante entre pesquisadores independentes e famílias interessadas em preservar suas memórias. O estudo dos sobrenomes oferece pistas valiosas sobre deslocamentos populacionais, alianças matrimoniais e processos históricos frequentemente ausentes das narrativas tradicionais.

No caso dos Soares, a ampla dispersão territorial demonstra como as famílias portuguesas participaram da construção econômica e social do Brasil. Conhecer essas trajetórias significa preservar vínculos e fortalecer o sentimento de pertencimento às histórias familiares.


Oferecemos este breve ensaio genealógico da prole Soares na Bahia, tendo como ponto de partida, Felippe José Soares, nascido aproximadamente em 1781 e que se casou com Maria Ramos de Jesus.


Com a intenção de ampliar as pesquisas sobre possíveis ascendentes estrangeiros com sobrenome Soares na região Nordeste do Brasil, seguem mais alguns dados relevantes:

Bahia: Joaquim José Soares, nascido aproximadamente em 1808 e se casou com Maria das Dores, ela sendo filha de Manuel José dos Santos e Custódia Maria dos Passos.

Sergipe: Francisco Antônio Soares, nascido aproximadamente em 1809 e se casou com Antônia Maria do Espírito Santo. Desse matrimônio tiveram 01 filho.

Alagoas: Maria Roza Soares, nascida aproximadamente em 1810 e se casou com Antônio Jerônimo da Rocha, ele sendo filho de Francisco Gerônimo Alves da Rocha e Maria Vieira da Rocha. Desse matrimônio tiveram 12 filhos.

Pernambuco: Francisca Maria Soares, nascida aproximadamente em 1810 e se casou com José Antônio dos Santos. Desse matrimônio tiveram 08 filhos.

Paraíba: Antônio Francisco Soares, nascido aproximadamente em 1800 e se casou com Angélica Bizerra Lima. Desse matrimônio tiveram 05 filhos.

Rio Grande do Norte: Florinda Esmeraldina Joaquina Soares, nascida aproximadamente em 1800 e se casou com o Capitão José Bento Álvares, ele sendo filho de José Lucas Álvares e Maria D'Apresentação. Desse matrimônio tiveram 02 filhos.

Ceará: Manoel Joaquim Soares, nascido aproximadamente em 1815 e se casou com Maria José do Nascimento, ela sendo filha de José Lopes Cabreira Junior e Maria Francisca do Nascimento. Desse matrimônio tiveram 01 filha.

Piauí: Pantaleão Soares, nascido aproximadamente em 1790 e se casou com Benedita Maria do Carmo, ela sendo filha do Capitão Duarte Teixeira de Souza e Vitória Maria do Nascimento. Desse matrimônio tiveram 03 filhos.

Maranhão: Maria Raimunda Soares, nascida aproximadamente em 1810 e se casou com João José Côrte Maciel, ela sendo filha do Capitão Duarte Teixeira de Souza e Vitória Maria do Nascimento. Desse matrimônio tiveram 03 filhos.


Notas de pesquisa

FamilySearch. Trata-se de uma fonte estruturada, voltada para registros históricos e genealógicos, o que garante maior confiabilidade na interpretação do sentido original do nome.

Pátria Cidadania. Analisa a origem etimológica do sobrenome Soares e sua relação com a tradição patronímica portuguesa.

Web Artigos. Apresenta panorama histórico das famílias Soares e suas ramificações brasileiras.

Ancestry. Reúne informações sobre distribuição geográfica e expansão internacional do sobrenome.

Genea Minas. Desenvolve levantamentos genealógicos relacionados aos troncos familiares estabelecidos em Minas Gerais e no Brasil.

Buscando Ancestrais. Examina processos migratórios e a formação das linhagens Soares no território brasileiro.


Aviso importante

Os dados da árvore genealógica apresentados neste artigo foram extraídos do FamilySearch na data da publicação. Por isso, eventuais alterações feitas depois nos perfis das pessoas citadas na plataforma não aparecerão automaticamente aqui. Este conteúdo registra o estado da pesquisa naquele momento e serve como referência da versão consultada pelos leitores.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Antônio Francisco Soares. Disponível em: >(familysearch.org/pt/tree/person/9J2M-YP5)<. Acesso em 09 de julho de 2025.

Antônio Francisco Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/9NLL-LS8)<. Acesso em 04 de março de 2025.

FAMÍLIA SOARES. Disponível em: >(FAMÍLIA SOARES (WEB ARTIGOS))<. Acesso em 09 de julho de 2025.

Felippe José Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/P39K-PXD)<. Acesso em 04 de março de 2025.

Florinda Esmeraldina Joaquina Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GT49-D8Q)<. Acesso em 04 de março de 2025.

Francisca Maria Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/96H3-GYZ)<. Acesso em 07 de março de 2025.

Francisco Antônio Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/PWH4-FFZ)<. Acesso em 09 de março de 2025.

Joaquim José Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/GD9R-JJ1)<. Acesso em 04 de março de 2025.

Manoel Joaquim Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GTVR-KCJ)<. Acesso em 16 de março de 2025.

Maria Raimunda Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/P7VH-DWG)<. Acesso em 21 de fevereiro de 2025.

Maria Rosa da Conceição. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/MH96-HWM)<. Acesso em 04 de março de 2025.

Pantaleão Soares. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/P7VH-DWG)<. Acesso em 07 de março de 2025.

Origem da família Soares. Disponível em: >(Origem da família Soares (Buscando Ancestrais))<. Acesso em 09 de março de 2025.

Origem do Sobrenome Soares: História e Significado. Disponível em: >(Origem do Sobrenome Soares: História e Significado (PÁTRIA CIDADANIA))<. Acesso em 04 de março de 2025.

Sobrenome Soares. Disponível em: >(Sobrenome Soares (Genea Minas))<. Acesso em 04 de março de 2025.

Significado do sobrenome Soares. Disponível em: >(Significado do sobrenome Soares (Ancestry))<. Acesso em 07 de março de 2025.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

DNA e genealogia: Como a ancestralidade genética ajuda a compreender a história das famílias brasileiras

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A busca pela origem familiar ganhou uma nova ferramenta com a popularização dos testes de DNA. Para quem pesquisa genealogia brasileira, entretanto, o resultado genético não deve ser tratado como resposta isolada. Ele precisa ser relacionado aos documentos, aos sobrenomes, aos deslocamentos geográficos e às histórias transmitidas entre gerações.

A formação da população brasileira resulta de encontros, deslocamentos e processos históricos envolvendo povos indígenas, africanos, europeus e outros grupos. 

O teste de DNA pode encontrar correspondências entre pessoas e indicar componentes de ancestralidade genética. Mineiro (2024) explica que os testes comercializados diretamente ao consumidor podem utilizar marcadores autossômicos, DNA mitocondrial e regiões do cromossomo Y, cada qual oferecendo informações diferentes sobre as linhagens investigadas.


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A diferença é importante para o genealogista. O DNA mitocondrial acompanha uma linhagem materna específica, enquanto o cromossomo Y permite acompanhar determinada linha paterna. Já os marcadores autossômicos abrangem segmentos herdados de diferentes antepassados e podem contribuir para a identificação de parentescos mais recentes.

A pesquisa de Kimura, Lemes e Nunes (2022) chama atenção para a popularização dos testes de ancestralidade e para a necessidade de compreender os conceitos de genética de populações que sustentam seus resultados. Os autores também alertam para possíveis usos inadequados dessas informações, inclusive quando resultados genéticos são empregados para criar separações sociais.

Há, portanto, uma diferença entre ancestralidade genética e genealogia. Uma árvore genealógica procura reconstruir pessoas, casamentos, filiações, localidades e gerações por meio de evidências. O DNA trabalha com padrões de herança biológica. As duas áreas podem conversar, mas não representam a mesma coisa.

Outro ponto merece atenção: o DNA pode revelar uma história diferente daquela preservada pela tradição familiar. Uma correspondência genética pode aproximar pessoas que desconheciam um ancestral comum, enquanto uma narrativa transmitida durante décadas pode não encontrar confirmação documental.

Mineiro (2024) registra justamente essa tensão ao estudar consumidores de testes genéticos. A autora mostra que os resultados podem modificar a compreensão que indivíduos possuem sobre parentesco e família. Em sua pesquisa, aparece uma pergunta especialmente pertinente: “como eu sei que estou preenchendo lacunas precisas com informações corretas?” (HAZEL et al., 2021, p. 5 apud MINEIRO, 2024).

Essa é uma citação da citação e representa uma questão central para qualquer pesquisa genealógica: uma informação aparentemente convincente precisa ser confrontada com outras evidências.

A discussão também alcança identidade e raça. Nicoladeli (2025), ao analisar a obra de Sarah Abel, observa que os testes genéticos podem participar da construção de identidades e de interpretações sobre pertencimento. A genética, quando apresentada como explicação definitiva sobre quem uma pessoa é, pode simplificar uma história familiar muito mais extensa.

Para investigar DNA e genealogia, o procedimento mais seguro começa pela documentação. Devem ser levantados registros de nascimento, batismo, casamento, óbito, inventários, escrituras, jornais, documentos de imigração e outras fontes capazes de estabelecer relações entre indivíduos.

Depois, os resultados genéticos podem ser comparados com a árvore genealógica. Uma correspondência de DNA ganha maior significado quando coincide com uma linha familiar sustentada por registros independentes.

O pesquisador também deve registrar a origem de cada informação, separar hipóteses de fatos comprovados e evitar conclusões baseadas somente em percentuais de ancestralidade. A composição apresentada por uma empresa de testes depende de bancos de referência e dos marcadores utilizados. A própria Genera informa que seu estudo sobre o DNA brasileiro representa um recorte de pessoas que realizaram os testes, não a totalidade da população brasileira.

Na avaliação deste colunista, o maior valor do DNA na genealogia está justamente na possibilidade de aproximar duas formas de investigação: a memória registrada nos documentos e a herança biológica transmitida entre gerações.

O resultado genético não deve apagar a história familiar encontrada em certidões, livros paroquiais ou inventários. Da mesma forma, uma tradição familiar não precisa ser descartada apenas porque um teste apresentou uma composição diferente da esperada. O caminho mais produtivo é confrontar as evidências.

A genealogia brasileira ganha força quando deixa de procurar apenas sobrenomes famosos e passa a observar também migrações, casamentos, parentescos, relações sociais e trajetórias de pessoas comuns. Nesse percurso, o DNA pode abrir uma porta, mas são as fontes históricas que ajudam a descobrir quem atravessou essa porta e qual foi sua trajetória.


Notas de pesquisa

MINEIRO. Pesquisa antropológica sobre consumidores de testes de ancestralidade genética e os efeitos desses resultados sobre as noções de família e parentesco.

KIMURA; LEMES; NUNES. Apresenta fundamentos dos testes de ancestralidade e discute suas implicações sociais.

NICOLADELI. Analisa criticamente as relações entre testes genéticos, identidade, raça e corpo.

Genera. Apresenta levantamento realizado a partir de mais de 200 mil amostras, ressaltando que o conjunto analisado representa apenas uma parcela da população.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Patrício Holanda



Referências bibliográficas:

Ancestralidade. Disponível em: >(Ancestralidade)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

Estudo da Genera revela a ancestralidade do DNA brasileiro. Disponível em: >(Estudo da Genera revela a ancestralidade do DNA brasileiro)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

MINEIRO, Jadhe Santana Azevedo. A busca por parentes (bio)revelados: um estudo antropológico sobre famílias entre consumidores de testes de ancestralidade genética. 2024. 20 f. Artigo científico (Trabalho apresentado na 34ª Reunião Brasileira de Antropologia), UNB, Brasília, 2024. Disponível em: >(A busca por parentes (bio)revelados: um estudo antropológico sobre famílias entre consumidores de testes de ancestralidade genética)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

NICOLADELI, Ângelo Tenfen. Testes genéticos de ancestralidade: entre raça, corpo e genoma. 2025. 3 f. Disponível em: >(Testes genéticos de ancestralidade: entre raça, corpo e genoma)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Assassinato de João Pessoa e Revolta de Princesa: O que aconteceu na Paraíba e como a Revolução de 1930 mudou essa história

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(Texto compartilhado no dia 03 de fevereiro de 2026 por José Tavares de Araújo Neto)

O assassinato de João Pessoa ocupa lugar singular na história política da Paraíba e na crise que envolveu a República Velha. Mais do que examinar apenas a autoria material do crime, é necessário observar como diferentes interpretações foram construídas depois do episódio e como a Revolta de Princesa passou, progressivamente, a ser relacionada à morte do presidente paraibano.

O debate permanece aberto. O texto publicado por José Tavares de Araújo Neto sustenta que houve uma mudança significativa entre as primeiras investigações e a interpretação posterior do caso, destacando a passagem de uma explicação centrada em motivações pessoais para outra baseada na hipótese de conspiração política (TAVARES NETO, 2026). Já o Atlas Histórico do Brasil, da Fundação Getulio Vargas, registra que o assassinato ocorreu por razões pessoais, embora tenha sido imediatamente aproveitado politicamente pela oposição ao governo federal (FGV, s.d.). (Blog do João Costa)

A questão, portanto, não se resume a perguntar quem matou João Pessoa. É preciso perguntar como o crime foi interpretado, quem produziu essas interpretações e quais interesses políticos foram associados a elas.


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A pesquisa adota abordagem histórico-documental e historiográfica, confrontando fontes acadêmicas, institucionais e de divulgação histórica. Foram cotejados o estudo de Bruno Miguel Drude, a dissertação de Auricélia Maria da Silva, a monografia de Guilherme Alves Cavalcante, o Atlas Histórico da FGV, o artigo de José Tavares de Araújo Neto, o estudo de Rostand Medeiros e o trabalho de Márcia Almada e Rodrigo Bentes Monteiro.

O procedimento privilegia a comparação entre versões, procurando distinguir acontecimento, interpretação e representação. Drude (2017), por exemplo, relaciona a Revolta de Princesa às tensões entre federalismo, tributação, reforma administrativa e reação oligárquica, permitindo compreender o conflito para além de uma simples disputa pessoal. (PPGDC UFF)

A Revolta de Princesa surgiu em meio ao choque entre o governo estadual de João Pessoa e o poder político de José Pereira. O conflito possuía dimensões econômicas, administrativas e eleitorais. O Atlas da FGV registra que o movimento congregou a oposição paraibana ao governo estadual e contou com apoio do governo federal, demonstrando que Princesa já estava inserida em uma disputa política de alcance mais amplo (FGV, s.d.). (Atlas Histórico do Brasil)

Nesse ambiente, a morte de João Pessoa ganhou significado que ultrapassou o próprio crime. A narrativa apresentada por Tavares Neto (2026) sustenta que a investigação posterior deslocou o foco da autoria material para a existência de uma possível conspiração, fazendo da Revolta de Princesa uma peça importante dessa reconstrução política. (Blog do João Costa)

A documentação, entretanto, recomenda cautela. O Atlas da FGV afirma expressamente que o crime ocorreu por razões pessoais e que os dirigentes da Aliança Liberal utilizaram politicamente o assassinato para responsabilizar o governo federal. (Atlas Histórico do Brasil) Essa divergência é fundamental: ela demonstra que não se deve transformar uma interpretação historiográfica em certeza documental sem considerar as fontes concorrentes.

Cavalcante (2018) chama atenção justamente para esse problema ao analisar a produção historiográfica sobre João Pessoa e José Pereira. Seu estudo mostra a presença de representações maniqueístas, nas quais os personagens podem aparecer alternadamente como heróis ou vilões, conforme o lugar ocupado pelo autor diante do acontecimento. (DSpace)

Silva (2020) aprofunda essa discussão ao examinar como jornais diferentes construíram imagens distintas de José Pereira. Segundo a autora, A União e o Jornal do Commercio produziram representações divergentes do líder de Princesa, revelando que a informação jornalística também participava da disputa pela memória do conflito (SILVA, 2020).

O relato de Rostand Medeiros também contribui para a reconstrução do cenário sertanejo. O autor descreve a Revolta de Princesa como resultado de disputas políticas e econômicas entre lideranças regionais, destacando a força de José Pereira e a dimensão armada do movimento (MEDEIROS, 2015). (TOK de HISTÓRIA - ROSTAND MEDEIROS)

Já o artigo de Tavares Neto (2026) oferece uma interpretação diretamente voltada à relação entre o assassinato de João Pessoa e a posterior releitura da Revolta de Princesa. Seu valor está justamente em provocar uma pergunta incômoda: até que ponto uma ruptura política modifica a maneira como acontecimentos anteriores são explicados? (Blog do João Costa)

A análise das fontes permite compreender o assassinato de João Pessoa como acontecimento situado na interseção entre violência privada, conflito regional e crise política nacional. A relação entre o crime e a Revolta de Princesa não deve ser aceita nem descartada de maneira automática.

O ponto mais consistente da pesquisa está na existência de diferentes camadas interpretativas. Drude (2017) evidencia as tensões institucionais; Cavalcante (2018) questiona a escrita maniqueísta; Silva (2020) demonstra o peso das representações jornalísticas; a FGV apresenta uma interpretação que enfatiza as motivações pessoais do crime; e Tavares Neto (2026) chama atenção para a transformação política posterior da narrativa. (PPGDC UFF)

Assim, a Revolta de Princesa não deve ser vista apenas como pano de fundo do assassinato de João Pessoa. Ela constitui uma chave para compreender as disputas de poder, as representações políticas e os mecanismos pelos quais uma sociedade reorganiza sua memória depois de uma ruptura histórica.

Há uma pergunta que precisa permanecer aberta: quem ganhou quando a história do assassinato de João Pessoa passou a ser contada como parte de uma grande conspiração?

Não se trata de absolver personagens nem de fabricar culpados. O trabalho do historiador é mais difícil: separar aquilo que aconteceu daquilo que foi dito sobre o acontecimento.

A Revolta de Princesa já possuía existência política própria. Havia disputa pelo poder estadual, resistência de grupos locais, interesses econômicos, tensão tributária, confrontos armados e uma profunda divisão entre lideranças. Transformar posteriormente esse conflito em explicação automática para o assassinato pode simplificar uma realidade muito mais complexa.

Também seria inadequado fazer o movimento inverso e retirar completamente Princesa da crise nacional. As fontes demonstram que o conflito sertanejo estava conectado às disputas políticas que atravessavam a Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e o governo federal. (Atlas Histórico do Brasil)

Minha leitura, portanto, é que a verdadeira riqueza histórica está justamente na contradição. João Pessoa pode ser estudado como vítima de um crime de motivação pessoal e, simultaneamente, como personagem cuja morte adquiriu enorme utilidade política. Princesa pode ser compreendida como conflito regional e, ao mesmo tempo, como episódio incorporado à crise nacional.

É nesse espaço entre o fato e sua interpretação que a pesquisa histórica ganha força. A memória não é uma fotografia parada. Ela é construída, disputada e, muitas vezes, reconstruída quando o poder muda de mãos.


Notas de pesquisa

Blog do João Costa. Apresenta a tese da mudança interpretativa entre as investigações do assassinato de João Pessoa e relaciona essa transformação à incorporação da Revolta de Princesa à narrativa política posterior.

DRUDE. Analisa a Revolta de Princesa sob perspectiva jurídico-institucional, relacionando federalismo, tributação, reforma administrativa e reação oligárquica. 

Atlas Histórico do Brasil. Reconstitui a crise política que envolveu João Pessoa, José Pereira, Princesa e a Revolução de 1930, apresentando também a interpretação de que o assassinato teve razões pessoais e posterior aproveitamento político. 

SILVA. Estuda as representações construídas sobre José Pereira, especialmente por meio dos jornais A União e Jornal do Commercio, mostrando como diferentes veículos produziram imagens políticas divergentes do mesmo personagem.

DSpace. Examina a historiografia paraibana sobre João Pessoa e José Pereira e identifica a presença de construções maniqueístas na representação dos personagens. 

TOK DE HISTÓRIA. Reconstitui aspectos políticos, econômicos e militares da Revolta de Princesa, oferecendo elementos para compreender a dimensão sertaneja do conflito. 


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Atlas Histórico do Brasil. Disponível em: >(https://atlas.fgv.br/verbete/5458)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

A REVOLTA DE PRINCESA – GUERRA NA CAATINGA. Disponível em: >(A REVOLTA DE PRINCESA – GUERRA NA CAATINGA)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

CAVALCANTE, Guilherme Alves. Na história nem heróis nem vilões: analisando uma escrita maniqueista na historiografia paraibana sobre João Pessoa e José Pereira. 2018. 105 f. Monografia (Licenciatura em História), Universidade Federal de Campina Grande, João Pessoa, 2018. Disponível em: >(Na história nem heróis nem vilões: analisando uma escrita maniqueista na historiografia paraibana sobre João Pessoa e José Pereira )<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

DRUDE, Bruno Miguel. FEDERALISMO NA CONSTITUIÇÃO DE 1891: A REVOLTA DE PRINCESA GUERRA TRIBUTÁRIA, REFORMA ADMINISTRATIVA E A REAÇÃO OLIGÁRQUICA. 2017. 190 f. Dissertação (Pós Graduação em Direito Constitucional), Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: >(FEDERALISMO NA CONSTITUIÇÃO DE 1891: A REVOLTA DE PRINCESA GUERRA TRIBUTÁRIA, REFORMA ADMINISTRATIVA E A REAÇÃO OLIGÁRQUICA)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

O Discurso e a Noticia: Manuscritos sobre a revolta de 1720 atribuídos a Pedro Miguel de Almeida, 3 o conde de Assumar. Disponível em: >(O Discurso e a Noticia: manuscritos sobre a revolta de 1720 atribuídos a Pedro Miguel de Almeida, 3 o conde de Assumar)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

Revolta de Princesa: A reinterpretação do Assassinato de João Pessoa. Disponível em: >(Revolta de Princesa: a reinterpretação do Assassinato de João Pessoa)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

SILVA, Auricélia Maria da. DE LOUCO E CANGACEIRO A VALENTE E DESTEMIDO: As representações sobre o coronel José Pereira na Guerra de Princesa (PB). 2020. 99 p. Dissertação (Mestrado em Ciências da Informação), Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2020. Disponível em: >(DE LOUCO E CANGACEIRO A VALENTE E DESTEMIDO: As representações sobre o coronel José Pereira na Guerra de Princesa (PB))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Sobrenomes mais comuns na Bahia: O que a genealogia revela sobre a formação das famílias baianas

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Oferecimento da Rubble Assessoria de Investimentos

Pesquisar os sobrenomes mais comuns na Bahia vai muito além de identificar quantas pessoas carregam Santos, Silva, Souza, Oliveira ou Jesus. Cada sobrenome pode conduzir o pesquisador a diferentes períodos da história da Bahia, aos registros paroquiais, às relações familiares, aos deslocamentos populacionais e às formas de organização social que marcaram a formação do estado.

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Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, trouxeram uma informação particularmente interessante: Santos é o sobrenome mais frequente na Bahia, presente em aproximadamente 26,3% da população, enquanto Silva aparece em segundo lugar, com 17,6%. Na sequência estão Souza, Oliveira e Jesus.

O resultado chama atenção porque Silva lidera nacionalmente. No entanto, a distribuição regional demonstra que a frequência de um sobrenome não pode ser interpretada isoladamente. Ela precisa ser relacionada ao povoamento, à história social e aos processos de formação das famílias.

Os estudos sobre origem dos sobrenomes mostram que o nome de família pode funcionar como uma pista histórica. Azevedo (1983), ao estudar os sobrenomes no Nordeste, observa que eles constituem variáveis relevantes para pesquisas de natureza histórica, cultural e genética.

Essa perspectiva é especialmente importante para a genealogia baiana. Um sobrenome encontrado repetidamente em certidões, livros de batismo, casamentos ou óbitos não significa, automaticamente, que todas as pessoas pertenciam ao mesmo tronco familiar. Homônimos, mudanças na grafia, adoções de sobrenomes e diferentes formas de transmissão exigem comparação entre documentos.

Os registros paroquiais são, nesse sentido, fontes indispensáveis. Pesquisa apresentada por Mailson dos Santos Lopes demonstra que documentos paroquiais baianos do século XIX permitem observar frequência, transmissão, procedência e variações dos sobrenomes. O estudo identificou 146 sobrenomes diferentes em determinado corpus documental, entre eles Bispo, da Silva, do Sacramento, Moniz, Pereira e Ribeiro.

A relação entre nome e sociedade também aparece na pesquisa de Hirão Fernandes Cunha e Souza sobre a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador. O autor analisou 649 prenomes e verificou a forte permanência da tradição portuguesa, embora também tenha encontrado formas inovadoras de nomeação.

Em citação direta, Souza registra que o nome de pessoa constitui “um manancial rico para conhecimento não apenas da língua”, alcançando também aspectos culturais, religiosos e ideológicos (CARVALHINHOS, 2007 apud SOUZA, 2017, p. 7).

A passagem é importante porque demonstra que estudar nomes não significa apenas procurar significados etimológicos. O nome precisa ser observado dentro da sociedade que o utilizou.

Outro ponto relevante está na própria transmissão dos sobrenomes. Estudos sobre a tradição luso-brasileira mostram transformações na maneira como nomes familiares foram transmitidos entre os séculos XIX e XX. A adoção do sobrenome paterno, materno ou do marido esteve relacionada a costumes e mudanças culturais, não constituindo uma prática absolutamente uniforme ao longo da história.

A história econômica também precisa entrar nessa análise. Pesquisa sobre a concentração de riqueza em Salvador entre 1777 e 1808, baseada em inventários post-mortem, evidencia uma sociedade marcada por forte desigualdade patrimonial. Os documentos permitem relacionar indivíduos, propriedades, heranças e redes familiares.

Portanto, sobrenome e genealogia não devem ser separados da história social. Uma família pode aparecer em documentos de batismo, casamento, inventário, compra e venda de terras, testamentos e registros civis, permitindo reconstruir sua trajetória dentro de determinado espaço histórico.

A pesquisa genealógica sobre famílias baianas deve começar pela identificação do indivíduo mais recente cuja filiação esteja comprovada. A partir dele, recomenda-se retroceder geração por geração, confrontando nomes, datas, localidades, profissões, cônjuges, pais e testemunhas.

Os registros paroquiais merecem atenção especial, sobretudo para períodos anteriores à consolidação dos registros civis. Também é necessário consultar inventários, testamentos, escrituras, jornais, documentos judiciais e arquivos eclesiásticos.

Um cuidado essencial é não transformar coincidência de sobrenome em prova de parentesco. O fato de duas pessoas serem Santos, Silva ou Souza não demonstra, por si só, que pertençam à mesma família.

A pesquisa sobre a família Assis, desenvolvida em estudo histórico sobre Santo Amaro, mostra justamente a importância dessa cautela. O trabalho destaca que documentos paroquiais podem apresentar dificuldades de conservação, transferência entre paróquias e localização dos livros.

Na minha leitura, o principal valor de estudar os sobrenomes mais comuns na Bahia está na possibilidade de enxergar pessoas comuns dentro da história. Um sobrenome muito frequente pode parecer pouco útil para a genealogia, mas ganha importância quando associado a uma freguesia, profissão, casamento, propriedade ou grupo de parentesco.

Santos, Silva, Souza, Oliveira e Jesus não devem ser tratados como rótulos capazes de revelar uma origem familiar sozinhos. Eles são pontos de partida. A prova genealógica nasce do cruzamento entre documentos e informações.

Também considero necessário abandonar a ideia de que a genealogia se resume à construção de árvores familiares. A história das famílias baianas ganha maior significado quando revela como essas pessoas trabalharam, migraram, constituíram casamentos, enfrentaram desigualdades, acumularam patrimônio ou sobreviveram às transformações políticas e econômicas.

Assim, pesquisar um sobrenome é investigar uma trajetória. O documento pode revelar muito mais do que o nome escrito no papel: pode indicar relações de parentesco, circulação territorial, pertencimento social e mudanças ocorridas entre gerações.


Notas de pesquisa

AZEVEDO. O estudo analisa os sobrenomes como elementos capazes de contribuir para pesquisas históricas, culturais e relacionadas à composição populacional do Nordeste. A referência é importante para compreender que a distribuição dos sobrenomes pode ser observada em conjunto com os processos de formação social e demográfica da região.

SOUZA. A pesquisa examina os nomes próprios utilizados por integrantes da Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador, relacionando a escolha dos nomes a aspectos culturais, religiosos, linguísticos e sociais. A obra amplia a compreensão sobre a importância dos nomes na investigação histórica da população baiana.

LOPES. O trabalho utiliza documentos paroquiais da Bahia do século XIX para observar a presença e a recorrência de sobrenomes. A referência demonstra a relevância dos registros religiosos para pesquisas genealógicas, principalmente na identificação de famílias, indivíduos e diferentes formas de transmissão dos sobrenomes.

ASBRAP. O estudo aborda a formação e a utilização de sobrenomes e apelidos dentro da tradição portuguesa e luso-brasileira. A referência contribui para compreender que a transmissão dos nomes familiares passou por diferentes costumes e práticas ao longo do tempo, exigindo cautela do pesquisador genealógico.

UCSAL. A referência apresenta informações relacionadas à reconstrução histórica de uma família baiana e evidencia a utilização de registros paroquiais como fontes para a pesquisa genealógica. O material reforça a necessidade de localizar documentos, comparar informações e estabelecer vínculos familiares por meio de evidências.

LEIRO. O texto aborda questões relacionadas à identificação de pessoas de origem galega e espanhola e às formas como essas origens podem aparecer na documentação e na memória familiar. A referência é útil para pesquisas sobre imigração, origem familiar e interpretação de denominações atribuídas aos antepassados.

FAMÍLIA SARNO. A publicação reúne informações sobre a presença de sobrenomes italianos no território baiano, contribuindo para compreender processos migratórios e a incorporação de famílias estrangeiras à sociedade local. A fonte pode servir como ponto de partida para pesquisas específicas sobre imigração italiana e descendência na Bahia.

G1 BAHIA. A reportagem apresenta dados recentes sobre a frequência de nomes e sobrenomes entre a população baiana, permitindo estabelecer uma relação entre a realidade demográfica contemporânea e a permanência histórica de determinados sobrenomes. A fonte é especialmente útil como referência para contextualizar a popularidade atual dos nomes de família.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Natália Cardoso



Referências bibliográficas:

ALGUMAS NOTAS A RESPEITO DOS SOBRENOMES EM DOCUMENTOS PAROQUIAIS BAIANOS OITOCENTISTAS. Disponível em: >(ALGUMAS NOTAS A RESPEITO DOS SOBRENOMES EM DOCUMENTOS PAROQUIAIS BAIANOS OITOCENTISTAS (Even3))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

AZEVEDO, Eliane S. Sobrenomes no Nordeste e suas relações com a heterogeneidade étnica. Estudos Econômicos, São Paulo, v. 13, n. 1, p. 103-116, 1983.

CARVALHO, Gilberto de Abreu Sodré. Sobrenomes ou apelidos na história e na tradição luso-brasileira. 2023. 25 f. Revista da ASBRAP n°. 30, 2023. Disponível em: >(Sobrenomes ou apelidos na história e na tradição luso-brasileira (ASBRAP))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

Histórico de familiar. Disponível em: >(Histórico de familiar (UCSAL))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

LOPES, Mailson dos Santos. Algumas notas a respeito dos sobrenomes em documentos paroquiais baianos oitocentistas. In: 1º Interonoma – Congresso Internacional de Onomástica. Belo Horizonte, 2025.

Maria, José e Santos: confira os nomes e sobrenomes mais comuns na Bahia, de acordo com o IBGE. Disponível em: >(Maria, José e Santos: confira os nomes e sobrenomes mais comuns na Bahia, de acordo com o IBGE (G1 Bahia))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

Os galegos na Bahia. Disponível em: >(Os galegos na Bahia (Lucia Leiro))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

SANTOS, Augusto Fagundes da Silva dos. Raízes históricas da concentração de riqueza em Salvador (1777-1808). 2018. 14 f. Artigo científico (Doutorado em História), Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2017. Disponível em: >(Raízes históricas da concentração de riqueza em Salvador (1777-1808) - (UFBA))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

SILVA, A.O. Considerações finais. In: Ordem imperial e aldeamento indígena: Camacãns, Gueréns e Pataxós do Sul da Bahia [online]. Ilhéus: Editus, 2018, pp. 295-299. Disponível em: >(https://books.scielo.org/id/sf4xd/pdf/silva-9788574555287-07.pdf)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

Sobrenomes Italianos na Bahia. Disponível em: >(Sobrenomes Italianos na Bahia (Família Sarno))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

SOUZA, Hirão Fernandes Cunha eARLINDOS E NEGROS: O NOME PRÓPRIO EM UMA IRMANDADE DE COR NA BAHIA DOS SÉCULOS XIX E XX. 2017. 302 f. Tese (Doutorado em Letras), Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2017. Disponível em: >(ARLINDOS E NEGROS: O NOME PRÓPRIO EM UMA IRMANDADE DE COR NA BAHIA DOS SÉCULOS XIX E XX (Dicionários de nomes do Brasil))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

Mercado das Tulhas em São Luís: História, arquitetura colonial e os segredos do centro histórico maranhense

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O processo de formação urbana de São Luís produziu um dos conjuntos arquitetônicos mais singulares do Brasil, resultado da convivência entre influências portuguesas, adaptações climáticas e práticas comerciais desenvolvidas ao longo dos séculos. Nesse cenário, o Mercado das Tulhas consolidou-se como importante espaço de circulação econômica e sociocultural, preservando tradições alimentares, costumes mercantis e relações comunitárias características da capital maranhense.

A compreensão dessa trajetória contribui para pesquisas relacionadas ao centro histórico de São Luís, patrimônio cultural maranhense, arquitetura colonial do Maranhão e turismo histórico em São Luís, temas que despertam interesse crescente entre pesquisadores e visitantes.


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Considerando o tema de patrimônio histórico, urbanização colonial e formação do Maranhão, os seguintes conteúdos do GuardaChuva Educação apresentam forte correlação temática:

A investigação foi desenvolvida mediante revisão bibliográfica comparativa, utilizando artigos científicos, estudos urbanísticos, levantamentos históricos e produções jornalísticas especializadas sobre a formação urbana ludovicense e o funcionamento dos mercados tradicionais.

A configuração urbana de São Luís distingue-se pela permanência de elementos arquitetônicos herdados do período colonial e pelas adaptações realizadas em resposta às condições ambientais da região. Segundo o portal Bahia.ws, a cidade desenvolveu soluções construtivas próprias, incorporando azulejos portugueses, sobrados comerciais e sistemas de ventilação adequados ao clima tropical (BAHIA.WS, 2020).

Nesse contexto urbano surgiu o Mercado das Tulhas, tradicional espaço comercial conhecido também como Casa das Tulhas, responsável pela comercialização de produtos oriundos do interior maranhense e de diferentes regiões do Nordeste. A reportagem da TV Mirante destaca que o local transformou-se em referência para o abastecimento popular e para a preservação de práticas comerciais transmitidas entre gerações (TV MIRANTE, 2021).

As atividades desenvolvidas no mercado ultrapassaram a simples função econômica. O ambiente tornou-se espaço de sociabilidade, circulação de saberes populares e fortalecimento do pertencimento cultural da população local. Pesquisa apresentada no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional observa que mercados tradicionais desempenham importante papel na preservação das relações sociais urbanas e das memórias coletivas (SIDR, 2017).

Em citação direta, o estudo do SIDR afirma que "os mercados públicos constituem espaços privilegiados de manutenção das relações culturais e econômicas das comunidades urbanas" (SIDR, 2017, p. 5). Essa observação aproxima-se da realidade encontrada no Mercado das Tulhas, cuja dinâmica comercial permanece vinculada à identidade cultural maranhense.

A produção acadêmica da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional destaca que a preservação dos centros históricos depende não apenas da conservação física dos edifícios, mas também da manutenção das atividades sociais que lhes atribuem significado cotidiano (ANPUR, 2023).

O conjunto arquitetônico de São Luís representa exemplo relevante dessa interação entre patrimônio material e patrimônio imaterial. Conforme o portal Bahia.ws, os imóveis históricos continuam exercendo funções residenciais, comerciais e culturais, favorecendo a permanência da vida urbana no centro histórico (BAHIA.WS, 2020).

A literatura especializada também ressalta que os mercados públicos exercem função estratégica na economia regional, especialmente pela valorização de produtos locais e pela integração entre áreas urbanas e rurais. O Mercado das Tulhas permanece como importante ponto de comercialização de especiarias, artesanato e produtos tradicionais do Maranhão (TV MIRANTE, 2021).

Nesse sentido, pode-se utilizar a interpretação de Pierre Nora, citado por diversos estudiosos do patrimônio urbano, segundo a qual determinados espaços tornam-se "lugares de memória" por concentrarem experiências coletivas e referências culturais compartilhadas (NORA apud ANPUR, 2023). 

A história urbana de São Luís demonstra que a preservação do patrimônio histórico não depende exclusivamente da conservação arquitetônica. A continuidade das práticas comerciais, das relações comunitárias e das tradições culturais desempenha papel igualmente relevante na manutenção da memória coletiva.

O Mercado das Tulhas permanece como testemunho desse processo, reunindo funções econômicas, culturais e simbólicas que ajudam a compreender a formação histórica da capital maranhense.

Os centros históricos brasileiros frequentemente enfrentam o desafio de equilibrar preservação e modernização. Quando os espaços antigos deixam de cumprir funções sociais, transformam-se em cenários vazios, desconectados da população local.

O caso do Mercado das Tulhas demonstra caminho diferente. A permanência das atividades comerciais e das práticas culturais permite que o patrimônio continue integrado ao cotidiano da cidade, fortalecendo a memória urbana e estimulando o turismo cultural.

Mais do que edifícios preservados, São Luís conserva experiências humanas que atravessam gerações e ajudam a explicar a singularidade histórica do Maranhão.


Notas de pesquisa

SIDR. Analisa o papel dos mercados públicos na preservação das relações econômicas e culturais das cidades.

TV Mirante. Apresenta informações históricas e sociais relacionadas ao Mercado das Tulhas e à dinâmica comercial de São Luís.

Bahia.ws. Examina aspectos da arquitetura e da evolução urbana do centro histórico ludovicense.

ANPUR. Discute patrimônio urbano, preservação arquitetônica e permanência das funções sociais nos centros históricos.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Natália Cardoso



Referências bibliográficas:

História e Arquitetura Colonial de São Luís do Maranhão. Disponível em: >(História e Arquitetura Colonial de São Luís do Maranhão (bahia.ws))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

MERCADO DAS TULHAS EM SÃO LUÍS (MA): REPOSITÓRIO PLANEJADO DA MEMÓRIA COLETIVA REGIONAL. Disponível em: >(MERCADO DAS TULHAS EM SÃO LUÍS (MA): REPOSITÓRIO PLANEJADO DA MEMÓRIA COLETIVA REGIONAL (UNIC ONLINE))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

PFLUEGER, Grete Soares; MACHADO, Larissa Lopes da Mata; PEREIRA, Márcio Rodrigo da Silva. São Luís - MA: a (des)construção do conceito de cidade portuária (ANPUR). 2023. 21 f. XX ENANPUR, Sessão Temática 6: Cidade, História e Identidade Cultural, 2023. Disponível em: >(São Luís - MA: a (des)construção do conceito de cidade portuária (ANPUR))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

Repórter Mirante mostra a história do Mercado das Tulhas em São Luís. Disponível em: >(Repórter Mirante mostra a história do Mercado das Tulhas em São Luís (TV Mirante))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.