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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Comissão matuta do Icó e a Confederação do Equador (1824)

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A “Comissão Matuta”, foi criada na Vila do Icó, no ano de 1824, era um Tribunal sumário e violento cujo objetivo era combater e punir os adeptos da Confederação do Equador e as ideais republicanas e ante imperiais. Era comandada pelo Tenente Coronel João André Teixeira Mendes, o “Canela Preta”, que mandou fuzilar inimigos políticos sem direito a defesa, tornando-se símbolo de uma violenta repressão política na Ribeira do Salgado e do Jaguaribe. A expressão “Matuta” refere-se à forma local de como fazer justiça de acordo com o interesse dos potentados locais.

A “Comissão Matuta” foi criada no dia 26 de outubro de 1824, através de um governo provisório instalado na Casa de Câmara e Cadeia da Vila do Icó, constituída pelos seguintes membros: João André Teixeira Mendes, Henrique Luiz Pedro de Almeida, Padre Manoel Felippe Gonçalves, Padre Felippe Benício Mariz (Presidente da Comissão), José do Valle, Coronel João de Araújo Chaves e Manoel Antônio de Amorim (Comandante em Armas).

 A tropa da “Comissão Matuta” era formada por homens do populacho, pessoas sem caráter e cruéis, não respeitavam as leis e ninguém. O povo vivia em verdadeiro terror, cabisbaixos, amedrontados, viviam trancados em casa, mas não deixava de ser humilhado, desrespeitado. Os caudilhos cometiam atrocidades e crimes, tais como bebedeiras, orgias e todo tipo de violência indiscriminadamente, em nome do Império e da religião católica.

Nas palavras de Macedo (2013) em “Tribunal de Sangue” a Comissão Matuta do Icó era uma espécie de Tribunal Militar ou Tribunal de Execução, sediada na Casa de Câmara e Cadeia da Vila do Icó, tendo como escopo processar, julgar e executar os membros da Confederação do Equador. Na verdade, serviu a certas personalidades como ferramenta de vingança pessoal, o que transformou em um verdadeiro “Tribunal de Sangue”.

No dia 27 de agosto de 1824, as tropas de Pereira Filgueiras ao se aproximarem da Vila do Icó, levam aos portugueses e imperialistas a fugirem para o arraial de São Severino na Serra do Pereiro, na busca da proteção de Amorim e suas tropas.

Sabendo Filgueiras, que Amorim pretendia atacar a Vila do Icó, ocupada pelos republicamos, manda o Sargento Mor Queiroz, em fins de setembro, atacar Amorim em seu reduto na Serra do Pereiro. O combate ocorre na ladeira do Pau-branco, onde Amorim e suas tropas vencem os homens de Queiroz, que sofre grande perda de homens e recua de volta a Vila do Icó. Daí a Serra do Pereiro torna-se um reduto inalcançável para os republicanos da Confederação do Equador.

No dia 18 de outubro de 1824, o Padre Estevão José da Porciúncula, estava ministrando missa na Igreja de Jardim, no Cariri, quando foi arrastado para a rua pelas forças imperiais, sendo assassinado de forma brutal, castrado e deixado inerte no meio da rua, sendo insultado pela cabroeira bêbada, assassina e andrajosa, que metia horror, segundo Girão (1986).

Continua Girão (1986), esses mesmos imperialistas prenderam em Pernambuco, a Ignácio Tavares Benevides (cunhado de Tristão Gonçalves), levaram-no para Jardim, moeram-no no cacete, e lançaram seu corpo em uma fogueira, onde morreu dando gritos de dor extrema. Outro preso, Manoel de Oliveira Mataquari, teve o mesmo destino (cacetadas e queimado vivo), ficando seu cadáver na rua e mal carbonizado, que foi devorado pelos cachorros. (Barroso (2006) explica com aconteciam essas execuções sumárias, que eram realizadas tanto pelos imperialistas, como pelos republicanos:

 “As vítimas eram colocadas uma ao lado da outra, formando um círculo, com as mãos atadas para trás. Postas para rodar, o carrasco partia-lhes o crânio com uma cacetada na base. Depois eram lançadas ao fogo ainda vivas.” [p.63].

Após a vitória dos imperialistas e a retomada da Vila do Icó, no dia 26 de outubro de 1824, é criada a “Comissão Matuta” do Icó e Amorim passa ser o Comandante em Armas, indo combater Tristão Gonçalves em Santa Rosa (Jaguaribara), na margem do Rio Jaguaribe, ao lado de Zé Leão e seus homens.

Segundo Facó (1962), Manuel de Queiroz Lima Filho, companheiro de Tristão Gonçalves no Combate de Santa Rosa, foi ferido gravemente em combate, sendo encontrado por um sobrinho e genro de Manuel Antônio de Amorim, comandante em armas das tropas imperialistas. Segue Facó (1962): o moço Amorim, compadecido do estado grave do inimigo, branco e bonito, levou-o para a casa do sogro, onde ficou aos cuidados do casal Amorim. Quando apresentava sensíveis melhoras, Amorim, saindo de casa a ligeiro negócio, deixou o ferido aos cuidados da esposa. Um dos cabras de Amorim, aproveitando a ausência do patrão, penetrou no quarto do ferido e desfechou-lhe, na presença da senhora, tiro certeiro que o deixou sem vida. Amorim, com o estampido do tiro de bacamarte, voltou à casa e ficou fulo de raiva com o que se passara. Escolheu três cabras de sua confiança e mandou-os no encalço do fugitivo ·com as necessárias instruções. Os perseguidores alcançaram o assassino no povoado de São Miguel, no Rio Grande do. Norte, onde o mataram e, como sinal trouxeram a Amorim uma das mãos· do morto.


O COMBATE DE SANTA ROSA

No dia 21 de outubro de 1824, Tristão deixa Aracati, levando algumas carroças e animais com mantimentos e peças de artilharia, no deslocamento das tropas de Tristão Gonçalves para o Cariri, antes de chegar em terras de Santa Rosa, o exército republicano vai enfraquecendo com as deserções, o que resta da tropa sobrevive com dificuldade, os amigos de Tristão na região evitam seu contato ausentando-se. Diante desse cenário promovem saques e pilhagens. (Barroso, 2006).

No dia 31 de outubro de 1824, no Combate de Santa Rosa entre as tropas imperiais e os republicanos da Confederação do Equador, Tristão Gonçalves tomba sem vida no Alto dos Andrades, a 3 km da povoação de Santa Rosa (antiga Jaguaribara), fugindo da perseguição das tropas de Amorim e Zé Leão.

Durante o Combate de Santa Rosa a tropa de republicanos, bastante reduzida devido as deserções desde Aracati, vai sendo massacrada pelas tropas imperialistas comandadas por Manoel Antônio de Amorim. Tristão Gonçalves, praticamente sozinho prevê a derrota, empreende fuga à cavalo, atravessa o Rio Jaguaribe para margem esquerda, desmonta, supondo-se salvo, sendo atingido por um tiro de bacamarte que o prostou (Girão, 1986).

Nessa fuga Tristão desvia sua rota do Cariri e ruma no sentido do centro da província, em busca da Barra do Sitiá (Quixeramobim), onde estava escondida a sua esposa e filhos. Segundo Araripe (1992), uma testemunha imperialista, Thomaz Lourenço da Silva Castro, escreveu o seguinte depoimento sobre a morte de Tristão Gonçalves durante o Combate de Santa Rosa:

“Quem escreve essas linhas viu seu cadáver em pé, recostado a uma jurema. Seco e esmurrado estava ele, o peito varado por uma bala, que se via de um lado a outro lado como por um óculo, os braços abertos, a mão direita golpeada, ficando suspensa e caída, e com outro golpe na nuca. Nessa ocasião presenciaram não menos de 300 pessoas o Ajudante da Fortaleza, e depois Capitão J. P. L., pegar-lhe a mão cutelada e pronunciar com todo o cinismo as seguintes palavras: V. Exa. Com essa mão foi que assinou a sentença para eu ser fuzilado? Empunhando uma grande faca, com a ponta dela lança em terra o cadáver e depois, pegando o mesmo cadáver, o coloca no lugar no lugar em que estava.

Não satisfeito ainda, custa a crer, corta - lhe o resto do membro”! É verdade o que me refiro, e sinto referi - lo. E juro por alma de meus pais e por tudo quanto há de mais sagrado que, tanto eu como o Padre Monteiro, capelão da força, reprovamos tão feio e indigno procedimento. Não é assim que se procede com os mortos. Não me recordo do que disse mais. Logo que cheguei ao acampamento comuniquei ao Chaves (o referido Luís Gonçalves Chaves), que comandava a força, e este, fora de horas, deu sepultamento, na capela de Santa Rosa, ao cadáver do mártir T. G. de Alencar Araripe.”


Oswald Barroso (2006), citando Menezes (2021), narra outra cena da morte Tristão Gonçalves:

“Antônio Joaquim Bandeira, morador na Fazenda Grande, desfere cinco punhaladas contra o morto. José Cambadinho, um dos cabras de José Leão, corta – lhe a orelha e proclama: Levem um pedaço de carne deste miserável e digam por esse sertão afora que o amaldiçoado Tristão Araripe já não pertence a esse mundo dos vivos.”

José Cambadinho, cujo nome era José Fernandes Pinheiro, que cortou uma das orelhas de Tristão, era cunhado do Tenente-coronel Domingos da Silva Saldanha, amigo e com dois familiares casados com duas tias de Tristão. Essa ação de Cambadinho casou uma grande intriga na família (Eusébio de Sousa, 1925).

No dia 03 de novembro de 1824, por Ofício, o Major João Nepomuceno Quixabeira, assegurando que os presos tomados pelas tropas da Serra do Pereiro, foram todos executados.

 

EXECUÇÕES SUMÁRIAS NA VILA DO ICÓ

No dia 09 de novembro de 1824, às 8:00 horas, a referida comissão fuzilou sumariamente, em praça pública, ao lado da Casa de Câmara e Cadeia, as primeiras vítimas: Manoel Francisco de Mendonça (Escrivão da Vila do Icó), João Félix (Oficial de Justiça), Silvestre (negro forro) e João Viegas Frazão (de Lavras da Mangabeira).

Outro sobreviveu ao fuzilamento, Antônio de Oliveira Pluma. Nas execuções do Icó, esqueceram da história de Raimundo Albertino de Carvalho, homem de grande família, que após ter participado de uma passeata republicana, tendo se recolhido a sua residência, foi retirado à força pelas forças imperialistas, sendo cortado a sabre, aos pedaços, na presença da sua família, pelo Furiel Comandante da Tropa, de acordo com Raimundo Girão e João Brígido, citado por Calíope (1978).

Na serra do Pereiro, durante a Confederação do Equador, a povoação (atual cidade de Pereiro) foi palco de sangrentas lutas entre os partidos locais : Rasgado e Patriota. Manoel Antônio de Amorim – célebre potentado de São Severino e maior caudilho dos imperialistas da Serra do Pereiro, fuzilou de bacamarte seu inimigo político o Sargento Mor Manoel do Espírito Santo da Paz, de acordo com Antônio Augusto (1888).

Seguiram-se muitas prisões e outros assassinatos conduzidos por Amorim, outras mortes não houveram devido a oposição e resistência de Pedro de Amorim, seu filho que matou dois jagunços do seu pai. Pouco tempo depois morreu envenenado a mando de um potentado da ribeira do Jaguaribe, Bernardino Lopes de Senna, por ter raptado – lhe uma filha.

 

AÇÕES DA COMISSÃO MILITAR EM 1825

No ano de 1825, ano de uma grande seca, as perseguições continuavam, a todos, que supostamente houvessem se envolvidos com a Confederação do Equador. Invadiram o Cariri, a Serra do Pereiro, Quixeramobim e a Serra Grande (Ibiapaba), com o único objetivo de continuar matando os republicanos. Mataram muitos inocentes. Outra vítima foi o Padre Felippe Benício, que foi torturado e humilhado em Viçosa do Ceará, na Serra Grande.

Na invasão à Quixeramobim, sofreram resistência na primeira tentativa de saque, mas como eram muitos conseguiram invadir a Vila e sub julgar os moradores e agrediram as mulheres com palavras de baixo calão. Os verdadeiros assassinatos, por fuzilamento, promovidos por João André Teixeira Mendes, o “Canela Petra”, em seus inimigos políticos ficou conhecido popularmente de “Comissão Matuta do Icó”. João André e Manoel de Amorim criaram

um suposto Tribunal Militar para eliminar os seus desafetos condenando-os a morte por fuzilamento, sem falar das execuções sumárias que ocorreram na região.


Quanto a atuação da “Comissão Matuta do Icó” expõe Cândido (2018):

“A campanha repressiva foi sanguinária e intensa, perseguindo populações que se viram em 1825 envolvidas pelas dificuldades de um ano de seca e uma forte epidemia de varíola. A violência da repressão pode ser percebida por meio das orientações dadas ao tenente coronel Niemeyer pelo presidente da província. Taxando ex-combatentes como bandidos, ordenava a execução de castigos físicos para homens e mulheres: aos homens, mandava “passar a roda de pau” (colocar o indivíduo no centro de um grupo de soldados armados com cacetes), às mulheres, aplicar palmatórias à vista dos habitantes das vilas, devendo todos os que levarem roda de pau ou palmatoadas serem soltos e mandados debaixo de boas vistas plantar ou aplicar-se ao serviço. O fuzilamento coletivo era outro recurso punitivo que deixava grandes impressões na população sobressaltada.”

O período e pós período da Confederação do Equador no Ceará trouxe muitas inquietações e perseguições por parte dos imperialistas, para com os “republicamos”, os simpatizantes e, principalmente, os inimigos do “Canela Preta” e Manoel de Amorim. O recrutamento militar forçado, utilizado pelos imperialistas, segundo Cândido (2018), talvez tenha sido o instrumento mais repressivo utilizado, chegando a ser denunciado na Assembleia de Deputados do Império numa sessão do ano de 1826, onde um dos deputados declarou na ocasião:

“A Província do Ceará se acha na maior desgraça possível, dois terços de seus habitantes estão foragidos e o estado de apuro e necessidade a que se acham reduzidos tem feito ladrões ratoneiros e salteadores, e o resto da Província se acha desamparada, sem poder sustentar a sua propriedade; há mortes diárias pelas estradas, o que nunca aconteceu no Brasil, e o recrutamento tem dado causa a isto no Ceará.”

 

O PÓS MORTE DE TRISTÃO GONÇALVES

Araripe (1991) afirma que consultou no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Rio de Janeiro, o Auto de corpo de delito feito no juízo da paz do distrito de Santa Rosa pela morte do ex-presidente Tristão Pereira Gonçalves de Alencar Araripe, em 1837, realizado pelo juiz de paz Miguel da Silva Saldanha da povoação de Santa Rosa.

Continua Araripe (1991), o corpo de delito e processo sumário foram feitos a 21 e 22 de abril de 1837 na Fazenda Olho d’Água, distrito de Santa Rosa, Termo da Villa do Riacho do Sangue, comarca de Quixeramobim, servindo de juiz de paz o dito Miguel da Silva e de escrivão Manoel Carlos da Silva Peixoto.” As testemunhas que depuseram no processo sobre o assassinato foram: o Capitão Domingos Paes Botão, o Capitão Cosme Paes Botão, o Sargento Francisco Diógenes Paes Botão, o Alferes porta bandeira Joaquim Lupolino Paes Botão e Gonçalo da Silva Saldanha.


Quanto a morte de Tristão Gonçalves, nos diz Araripe (1991):

“Todos acordes em atribui-lo a Venceslau Alves de Almeida e por duzentos mil reis, que lhe prometera o Sargento-mor Manoel da Cunha Pereira. O local do crime foi o lugar denominado Alto do Andrade, meia légua da capela de Santa Rosa.

No mesmo dia o juiz Saldanha condenou á prisão e livramento o réu Vesceslau Alves de Almeida como outro crime de assassinato.” 


Quanto a violação do cadáver de Tristão Gonçalves, pelos imperialistas de Amorim e José Leão, nos diz Barroso (2006):

Mas nem depois de morto Tristão Araripe tem descanso. Por um mês seu corpo permanece estendido, seco, esmurrados, à poeira e o vento, sem que mesmo os urubus ele se ocuparam. 

Morto, faz a viajem derradeira, mumificado, nos braços do inimigo Rodrigues Chaves. Percorre meia légua até a capela da fazenda Santa Rosa. Todavia nem ali pode repousar. Em vez de darem-lhe sepultura, recostam-no a um pereiro existente por trás da Igrejinha. Amaldiçoado pelos poderes civis, militares e eclesiásticos, reza a tradição que todo aquele que o apedrejar ganha anos de indulgência no Céu.

Por muitos dias, os restos do chefe republicano permanecem à disposição dos apedrejadores. Ninguém ousava enterrá-lo devido a crença de que, quem o fizesse sofreria muito. Até que, em noite de grande escuridão, uma alma corajosa desafiou a crendice, sepultando-o, finalmente, na igrejinha de Santa Rosa.”

No ano de 1833, a Regência em nome do Imperador D. Pedro II, concedeu a viúva Anna Triste, uma pensão anual, por decreto, dando o cognome de benemérito a Tristão Gonçalves, devido “os relevantes serviços por ele prestados com singular patriotismo, a bem da liberdade e independência do Império, em diferentes províncias, com total prejuízo de sua fazenda e último sacrifício de sua pessoa.”


A QUESTÃO ENTRE TRISTÃO GONÇALVES E MANOEL PEREIRA DA CUNHA

No deslocamento de Aracati para o Cariri, as tropas de Tristão Gonçalves “promovem saques e pilhagens, os quase Tristão ignora. Com raiva dos antigos parceiros, que o abandonaram, manda incendiar fazendas. Isso ocorre no Boqueirão do Meio, de Manoel Pereira da Cunha, pai de José Leão (um dos algozes de Tristão – grifo do autor), que eram os antigos aliados, de acordo com Barroso (2006).

Quanto ao incêndio da casa de Manoel da Cunha Pereira, no Boqueirão de Baixo, nos relata Eusébio de Sousa (1925), que ouviu depoimento do Coronel Casimiro Nogueira Granja:

“Tristão Gonçalves teve desgosto de Manoel Pereira da Cunha e de seu filho José Leão por não terem ambos esperado, na fazenda, quando marchara do Aracati para o interior da província, apesar do prévio aviso. A ira de Tristão chegou a tal ponto que,  encontrando em dita fazenda um pobre rapaz, da casa, fez surra-lo, o que deu lugar a José Leão, ao saber do acontecido, perseguir o mesmo Tristão.

Diz a tradição que Manoel da Cunha não aguardara a passagem de Tristão por não ter preparado a matalotagem que o mesmo lhe pedira anteriormente, para a sua tropa. Manoel da Cunha, apesar de rico, era muito usurário.

O incêndio da fazenda Boqueirão de Baixo foi resultante de acirrada luta da família Cunha, ramificada por um segundo casamento do chefe Maior, a viúva casou com um neto do próprio marido, oriundo do primeiro leito, isso contra a vontade dos filhos. Essa luta tornou-se séria e celebrizou-se na então província. Ficou conhecida pela questão dos Patacas e José Leão. Acontece que o incêndio do Boqueirão, memorado, se deu em junho de 1840, dezesseis anos depois da morte de Tristão.”

Fica esclarecido que o Boqueirão do Meio, fazenda de Manoel da Cunha, não foi incendiada em 1824, pelas tropas de Tristão Gonçalves. Isso se deu devido ao casamento da viúva de Manoel da Cunha (segunda esposa) com um dos seus netos do primeiro casamento. Esse acontecimento ocasionou a mortes e os familiares da viúva vingam-se atacando a fazenda, incendiando-a e matando José Leão, um filho, parentes e agregados, passando para a história cearense como a questão dos “Patacas e José Leão”.

 

QUEM FOI TRISTÃO GONÇALVES

Tristão Gonçalves de Alencar Araripe (1789 – 1824) foi um militar e revolucionário cearense, filho de Bárbara Pereira de Alencar (1760 – 1832) e do Capitão João Gonçalves de Araújo (1730 – 1809). Teve papel destacado em movimentos libertários, participando da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador em 1824, defendendo ideais republicanos contra o autoritarismo imperial. Foi uma figura central na luta pela independência e autonomia regional. Tombou morto no Combate de Santa Rosa, em 31 de outubro de 1824, no confronto com as tropas imperialistas, encerrando o movimento revolucionário.

No ano do centenário da Confederação do Equador (1824 – 1924) o jornal Diário do Ceará, edição nº 2843, de 26 de agosto de 1924, referência Tristão Gonçalves:

“Tristão, que, segundo parecer de Theberge, era um espírito essencialmente liberal, amando com frenesia as ideias republicanas, acesa causa já fizera, com sua mãe e irmãos, o sacrifício da sua liberdade, em 1817, na convicção intima de que a República era a forma de Governo que convinha a sua pátria, inclinou-se inteiramente para ela”.


ASCENDÊNCIA E DESCENDÊNCIA DE TRISTÃO GONÇALVES (pais, irmãos e filhos)

1. Capitão José Gonçalves de Araújo (nasceu em 04/1730, em Aveiro – Portugal – faleceu em 26/11/1809, em Crato – CE), filho de João Gonçalves (nasceu em 1710, em Aveiro, Portugal) e de Maria Manoel (nasceu em 1710, em Aveiro, Portugal) casado com Bárbara Pereira de Alencar (nasceu em 11/02/1760, em Exu – PE – faleceu em 18/08/1832, em Fronteiras – PI), filha de Joaquim Pereira de Alencar (nasceu em 1731 – faleceu em 1804) e de Teodora Rodrigues da Conceição (nasceu em 1742 – faleceu em 1792).


Filhos de José Gonçalves e Bárbara Pereira:

1.1. João Gonçalves de Alencar (nasceu em 27/01/1783, em Exu – PE – faleceu em 12/09/1859, em Crato – CE) casado com Luzia Xavier da Silva, filha de João Pereira de Carvalho (nasceu em 1744 – faleceu em 1794) e de Maria Xavier da Silva (n. 1744) – com descendência de 05 filhos;

1.2. Padre Carlos José dos Santos (nasceu 27/08/1784, em Crato – CE – faleceu em 1824) – sem descendência;

1.3. Joaquina Maria de São José (nasceu em 29/01/1787, em Crato – CE) casada com Arnaldo Antão de Carvalho (nasceu aproximadamente em 29/01/1783, em Oeiras – PI), filho de João Barbosa de Carvalho II (nasceu em 1746) e de Thereza Rodrigues Coelho (nasceu em 1759) - com descendência de 07 filhos;

1.4. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe (nasceu em 17/09/1789, em Barbalha – CE – f. 31/10/1824, em Santa Rosa – CE) casado com Anna Porcina Ferreira Lima – Anna Triste (nasceu em 16/02/1789, em Crato – CE – faleceu em 15/10/1874, em Fortaleza – CE), filha de Joaquim Ferreira Lima (nasceu em 1767 – faleceu em 1813) e de Desidéria Maria do Espírito Santo de Oliveira Botelho (nasceu aproximadamente em 1770, no Crato – CE – faleceu em 01/06/1838).

1.4.1. Pedro Jaime de Alencar Araripe (nasceu em 17/10/1809, no Crato – CE – faleceu em 03/07/1862, de cólera em Quixeramobim, Ceará) casado com Isabel Sabina da Silva (nasceu em 11/07/1810, no Icó – CE) , filha de José Joaquim da Silva Lobo e de Simoa Joaquina da Silva Lobo – com descendência - filho natural de Tristão Gonçalves, provavelmente, com uma escrava de Dona Bárbara de Alencar (?);

1.4.2. Xildérico Cícero de Alencar Araripe (nasceu em 13/05/1811, no Crato – CE – faleceu em 14/04/1865, em Uruguaiana – RS, durante a Guerra do Paraguai) casado com (1ª) Maria Thereza de Jesus (nasceu em 1812), filha de ... (?) - com descendência de 5 filhos; casado com (2ª) Romana Rosa; 

1.4.3. Neutel Norton Ferreira Lima de Alencar Araripe (nasceu em 1813 – faleceu em 03/09/1867, no Rio de Janeiro – RJ) casado com Umbelina de Lima Sucupira (nasceu aproximadamente em 1815), filha de José Ferreira Lima Sucupira (nasceu em 1798) e de Josefa de Jesus Batista Lima - com descendência de 02 filhos;

1.4.4. Aderaldo Aurélio de Alencar Araripe (nasceu em 03/08/1814, em Crato – CE – faleceu em 09/02/1903) casado com Antônia Leopoldina de Alencar Araripe (nasceu em 1820, em Exu – PR – faleceu em 1911, em Maranguape – CE), filha de ... (?) - com descendência de 04 filhos;

1.4.5. Carolina Clarence de Alencar Araripe (nasceu em 06/10/18158, em Crato – CE – faleceu em 12/08/1867, em Fortaleza – CE) casado com Antônio Ferreira Lima sucupira (nasceu em 1814 – faleceu em 28/06/1862, em Crato – CE), filho do Capitão João José Ferreira Lima Sucupira (nasceu em 1781 – faleceu e, 1867) e de Josefa de Jesus Batista - com descendência de 12 filhos;

1.4.6. Maria Dorgival de Alencar Araripe (nasceu em 15/03/1817, em Crato – CE – faleceu em 31/12/1887, em Fortaleza – CE) casado com Joaquim Antônio de Macedo Pimentel (nasceu em 1807, no Cariri – CE – faleceu em 15/07/1849), filho de Antônio José de Macedo Pimentel (faleceu em 1848) e de Maria Joaquina de São José Botelho Ferreira Lima (faleceu em 1862) - com descendência de 03 filhos;

1.4.7. Tristão Alencar Araripe (nasceu em 07/10/1821, em Icó – CE – faleceu em 03/07/1908, no Rio de Janeiro – RJ) casado com Argentina de Alencar (nasceu aproximadamente em 1826, na Bahia – faleceu de 27/01/1904, no Rio de Janeiro – RJ), filha de João Franklin de Lima (nasceu em 1798 – faleceu em 1871) e de Maria Brasilina de Alencar (nasceu em 1802 – faleceu em 1874) - com descendência de 07 filhos;

1.4.8. Delecarliense Drumond de Alencar Araripe (nasceu em 11/01/1823 – faleceu em 16/05/1878, em Vitória – ES) casado com Cezária de Bacellar (nasceu em 1825, em Pelotas – RS), filha de Pedro Felipe Bacellar e de Ana Clara Gomes - com descendência de 07 filhos;

5. Padre José Martiniano Pereira de Alencar (nasceu em 16/10/1794, em Missão Velha – Ce – faleceu em 15/03/1860, no Rio de Janeiro), viveu maritalmente com Anna Joaquina de Alencar (nasceu em 1807, em Missão Velha – CE – faleceu em 03/02/1887, no Rio de Janeiro – RJ), filha do Capitão Leonel Pereira de Alencar (nasceu em 1775 – faleceu em 1824) e de Maria Xavier da Silva (nasceu em 1783 – faleceu em 1854) - com descendência de 09 filhos.


Notas de Pesquisa

Júlio Abreu. Apresenta a trajetória do Padre Domingos da Mota Teixeira e sua atuação na organização religiosa da região do Icó, destacando a influência da Igreja Católica na formação social, política e administrativa do sertão cearense.

José Caminha de Alencar Araripe. Reúne estudos e memórias históricas sobre localidades, personagens e acontecimentos do Ceará, com destaque para o Vale do Jaguaribe, a formação das famílias tradicionais e os processos de ocupação do território sertanejo.

Reginaldo Alves Araújo. Analisa as redes de parentesco, poder e influência política das famílias sertanejas durante a consolidação do Estado brasileiro no século XIX, evidenciando o papel das elites locais na organização administrativa e eleitoral da província do Ceará.

Antônio Augusto. Descreve aspectos históricos da formação do município de Pereiro, abordando sua ocupação, desenvolvimento econômico, organização social e participação nos acontecimentos regionais do século XIX.

Oswald Barroso. Estuda a vida e a atuação política de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, ressaltando sua participação nos movimentos revolucionários e sua importância para a história política cearense.

João Brígido. Compila informações biográficas e históricas sobre personagens e acontecimentos marcantes do Ceará, oferecendo uma visão ampla da formação política, econômica e social da província.

Joaquim Calíope. Examina a participação do município de Icó nos eventos relacionados à Confederação do Equador, destacando lideranças locais e os reflexos do movimento na região.

Tyrone Apollo Pontes Cândido. Investiga a participação de grupos populares, militares e sertanejos nos movimentos de independência e rebeldia ocorridos no Ceará entre 1817 e 1824, enfatizando as dinâmicas sociais e políticas do período.

Boanerges Facó. Analisa a origem e a trajetória da família Queiroz-Ferreira e dos Facós, evidenciando sua influência econômica, política e social na história cearense.

Raimundo Girão. Apresenta uma síntese da evolução histórica do Ceará, abordando os principais acontecimentos políticos, econômicos e culturais que marcaram a formação do estado.

Heitor Feitosa Macedo. Relata conflitos familiares, disputas de poder e episódios de violência ocorridos no sertão cearense, contribuindo para a compreensão das relações sociais e políticas regionais.

Eduardo Marques Peixoto. Estuda os acontecimentos políticos ligados ao movimento de 1824 no Ceará, examinando seus líderes, causas e consequências para a província.

Pedro Alberto de Oliveira Silva. Reconstrói a trajetória histórica e genealógica de Pedro Jaime de Alencar Araripe e seus descendentes, oferecendo importantes informações sobre as famílias tradicionais do Ceará.

Eusébio Sousa. Descreve os episódios relacionados à chamada Epopeia de Santa Rosa, ressaltando seus protagonistas e sua relevância para a memória histórica cearense.

Barão de Studart. Analisa o Movimento Republicano de 1824 no Ceará, destacando o contexto político, os participantes e os impactos da Confederação do Equador na província.

FamilySearch. Trata-se de uma fonte estruturada, voltada para registros históricos e genealógicos, o que garante maior confiabilidade na interpretação do sentido original do nome.


Aviso importante

Os dados da árvore genealógica apresentados neste artigo foram extraídos do FamilySearch na data da publicação. Por isso, eventuais alterações feitas depois nos perfis das pessoas citadas na plataforma não aparecerão automaticamente aqui. Este conteúdo registra o estado da pesquisa naquele momento e serve como referência da versão consultada pelos leitores.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Sérgio Barreto



Referências bibliográficas:

ABREU, Júlio. O Padre Domingos da Mota Teixeira e a Vigararia do Icó. In: Revista do Instituto do Ceará. P. 143-148, 1954.

ARARIPE, José Caminha de Alencar. Jardim, Evocações Históricas e Suaves Relembranças. In: Revista do Instituto do Ceará. p. 125/135, 1991.

ARARIPE, José Caminha de Alencar. Castanhão. In: Revista do Instituto do Ceará. p. 111/112, 1992.

ARARIPE, José Caminha de Alencar. Tristão, mártir e benemérito. In: Revista do Instituto do Ceará. p. 61/65, 2025.

ARAÚJO. Reginaldo Alves. “Coisa de Mourão”: uma parentela do sertão cearense no processo de afirmação do Estado brasileiro (1835 – 1856). In: Edições UFC, 2016. 

ARAÚJO. Reginaldo Alves. A Parte no Partido: relações de poder e política na formação do Estado nacional brasileiro, na província do Ceará (1821 – 1841). [TESE DOUTORADO]. Fortaleza – CE: Universidade Federal do Ceará, 2018. 421 p. 

AUGUSTO, Antônio. Município de Pereiro – conclusão. In: Revista Trimestral do Instituto do Ceará. p. 237-246, 1888.

BARROSO, Oswald. Tristão Araripe – alma afoita da revolução. Fortaleza – CE: Editora Imprensa universitária, 2006. 86 p. 

BRÍGIDO, João. Ceará (Homens e Fatos). Fortaleza – CE: Edições Demócrito Rocha, 2001. 559 p. 

CALÍOPE. Joaquim. Apontamentos Históricos – o Icó e a Confederação do Equador. In: Revista Itaytera, Nº 22. P. 107, 1978. 

CÂNDIDO, Tyrone Apollo Pontes. A Plebe Heterogênea da Independência: armas e rebeldias no Ceará (1817 – 1824). [ARTIGO]. Quixadá – CE: Universidade Estadual do Ceará, 2018. Disponível em: http://orcid.org/0000-0001-8030-8985. Acesso em: 24 de abril de 2026.

FACÓ. Boanerges. Família Queiroz – Ferreira, de Beberibe. Os Facós. Liberais e Republicanos. Fortaleza – CE: Academia Cearense de Letras. P. 133 – 143, 1962. 

GIRÃO, Raimundo. Evolução Histórica Cearense. Fortaleza – CE: Edições BNB ETENE, 1986. 446 p. 

MACEDO, Heitor Feitosa. DOCUMENTOS INÉDITOS: IV - Carta Patente do “Major” José do Vale Pedrosa. 2013. Disponível em: DOCUMENTOS INÉDITOS: IV - Carta Patente do “Major” José do Vale Pedrosa (Estórias&Histórias). Acesso em 24 de abril de 2023.

PEIXOTO, Eduardo Marques. Ceará: movimento político de 1824. IN: Revista Trimestral do Instituto do Ceará. p. 39-49, 1907.

SILVA, Pedro Alberto de Oliveira. Pedro Jaime de Alencar Araripe (1809 – 2009) – bicentenário de nascimento (História e Genealogia). In: Revista do Instituto do Ceará. p. 9-24, 2009. 

SOUSA, Eusébio. A epopéa de Santa Rosa. In: Revista Trimestral do Instituto do Ceará. p. 15-23, 1925.

STUDART, Barão. O Movimento Republicano de 1824 no Ceará. In: Revista do Instituto do Ceará. p. 613-634, 1924.

Tristão Gonçalves de Alencar Araripe. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GWM6-HFQ)<. Acesso em 22 de junho de 2026.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Prisão de Joaquim Dantas e a reação de João Dantas

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(Texto compartilhado no dia 03 de fevereiro de 2026 por José Tavares de Araújo Neto)

Entre os episódios que marcaram a intensa disputa política paraibana do final da Primeira República, a prisão de Joaquim Duarte Dantas ocupa posição de destaque. O caso ultrapassou a esfera policial e tornou-se elemento relevante no processo de deterioração das relações entre o governo estadual e a família Dantas. As circunstâncias de sua detenção, a repercussão na imprensa e a reação de seu irmão, João Dantas, inserem-se em um contexto de crescente radicalização política que culminaria em um dos acontecimentos mais emblemáticos da história brasileira (JOÃO DANTAS E A REVOLTA DE PRINCESA, 2025).

Durante o conflito que envolveu o governo paraibano e os grupos políticos ligados a Princesa, Joaquim Dantas passou a ser apontado pelas autoridades como participante indireto das atividades de apoio ao movimento oposicionista. Sua vinculação decorreu principalmente de depoimentos colhidos durante operações policiais realizadas no interior do estado (JOÃO DANTAS E A REVOLTA DE PRINCESA, 2025).

A prisão ocorreu sem que houvesse divulgação imediata de ordem judicial conhecida, circunstância que provocou questionamentos por parte da família e de setores da imprensa. Conforme relatam estudos sobre o período, sua transferência para o interior da Paraíba e a manutenção da incomunicabilidade contribuíram para ampliar a repercussão do caso (JOÃO DANTAS, O HOMEM QUE MUDOU O CURSO DA HISTÓRIA, 2020).

A situação ganhou maior dimensão quando foram apresentados recursos judiciais contestando a legalidade da custódia. Segundo registros históricos, autoridades judiciais requisitaram informações sobre o paradeiro do preso, diante das alegações de que sua detenção não havia seguido os procedimentos legalmente exigidos (JOÃO DANTAS E A REVOLTA DE PRINCESA, 2025).

Nesse contexto surgiu um dos documentos mais conhecidos da crise política paraibana: o telegrama encaminhado por João Dantas ao presidente João Pessoa. O texto expressava indignação diante da prisão do irmão e denunciava supostos abusos cometidos pelo aparato estatal. Em passagem frequentemente citada pelos estudiosos do tema, João Dantas afirmou que “nenhum Dantas se amedrontará nem se humilhará diante de vosso capricho” (DANTAS, apud JOÃO DANTAS E A REVOLTA DE PRINCESA, 2025), evidenciando o grau de tensão existente entre as partes.

Posteriormente, o documento seria incorporado ao inquérito instaurado após a morte de João Pessoa. As autoridades interpretaram o conteúdo do telegrama como demonstração da hostilidade existente entre João Dantas e o chefe do Executivo paraibano. Conforme observou a imprensa da época, o episódio passou a integrar o conjunto de elementos utilizados para explicar os antecedentes do assassinato ocorrido no Recife (FOI ASSASSINADO, EM RECIFE, O SR. JOÃO PESSOA, 1930).

A literatura histórica registra que, após análise do caso, o Poder Judiciário determinou a libertação de Joaquim Dantas. A decisão foi recebida como reconhecimento das irregularidades apontadas pelos advogados e familiares. De acordo com interpretação apresentada por autores contemporâneos, a sucessão de acontecimentos envolvendo perseguições políticas, apreensão de documentos particulares e detenções controversas contribuiu para intensificar o ambiente de confronto que caracterizou aqueles meses (JOÃO DANTAS, O HOMEM QUE MUDOU O CURSO DA HISTÓRIA, 2020).

Segundo o jornal que noticiou o assassinato de João Pessoa, o episódio teve repercussão nacional e rapidamente ultrapassou os limites da política paraibana, influenciando os acontecimentos que desembocariam na Revolução de 1930 (FOI ASSASSINADO, EM RECIFE, O SR. JOÃO PESSOA, 1930).

A prisão de Joaquim Dantas constitui um dos episódios mais significativos da crise política paraibana. A controvérsia em torno de sua detenção, associada às disputas entre grupos rivais, ampliou o clima de animosidade existente no estado. A documentação examinada demonstra que o caso não permaneceu restrito à esfera jurídica, tornando-se componente importante do cenário que antecedeu a morte de João Pessoa e os desdobramentos políticos posteriores.

A análise desse episódio revela como conflitos políticos podem ultrapassar os limites do debate institucional e alcançar dimensões pessoais. A prisão de Joaquim Dantas não foi percebida apenas como uma medida administrativa ou policial; para seus familiares, representou um símbolo da perseguição enfrentada naquele contexto.

O aspecto mais relevante da questão talvez esteja na forma como decisões governamentais, reações familiares e cobertura jornalística se entrelaçaram. O caso demonstra que acontecimentos aparentemente isolados podem produzir consequências muito mais amplas quando inseridos em ambientes de elevada polarização.

Ao revisitar esses fatos, o pesquisador encontra elementos que ajudam a compreender não apenas a trajetória de João Dantas e João Pessoa, mas também os mecanismos de funcionamento do poder político brasileiro durante a transição que antecedeu a Revolução de 1930.


Notas de pesquisa

Blog do João Costa. Reúne análises históricas sobre João Dantas, as disputas políticas da Paraíba e os desdobramentos do assassinato de João Pessoa no cenário nacional. Complementa a análise ao abordar aspectos regionais da política paraibana e a construção da memória histórica em torno de João Dantas e João Pessoa.

Espaço PB. Apresenta síntese biográfica de João Dantas e discute sua participação no episódio que influenciou os acontecimentos políticos da década de 1930.

Banco de Dados Folha. Desenvolve panorama histórico sobre o caso João Pessoa, destacando a repercussão pública do assassinato e suas consequências para a crise política brasileira.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

FOI ASSASSINADO, EM RECIFE, O SR. JOÃO PESSOA. Disponível em: >(FOI ASSASSINADO, EM RECIFE, O SR. JOÃO PESSOA (Banco de Dados Folha))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

João Dantas e a Revolta de Princesa. Disponível em: >(https://blogdojoaocosta.com.br/?p=2743)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

João Dantas, o homem que mudou o curso da história. Disponível em: >(João Dantas, o homem que mudou o curso da história (Espaço PB))<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

sábado, 20 de junho de 2026

Origem do sobrenome Paiva e algumas genealogias na região Nordeste do Brasil

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Os sobrenomes familiares carregam marcas de deslocamentos populacionais, alianças políticas e transformações culturais que atravessam gerações. Entre os nomes tradicionais presentes na formação histórica ibérica, Paiva destaca-se pela forte ligação territorial com Portugal e pela difusão posterior em regiões colonizadas pelos portugueses. O sobrenome consolidou-se em linhagens nobres, famílias rurais e grupos migratórios que participaram da construção social brasileira.

A tradição genealógica portuguesa frequentemente relaciona os sobrenomes às regiões de origem. A partir dessa relação territorial, o sobrenome passou a representar identidade de pertencimento regional.

A elaboração desta análise utilizou levantamento bibliográfico interpretativo voltado à genealogia ibérica, formação de sobrenomes portugueses e processos migratórios entre Portugal e Brasil. Foram consultadas plataformas genealógicas, estudos acadêmicos, materiais de memória familiar e pesquisas historiográficas relacionadas à transmissão hereditária dos sobrenomes.

O procedimento metodológico concentrou-se na comparação das interpretações sobre a origem do sobrenome Paiva, observando elementos históricos, simbólicos e sociais presentes nas fontes analisadas. Também foi empregada leitura crítica sobre a permanência dos nomes familiares como instrumentos de preservação idenitária.

A origem do sobrenome Paiva está ligada à tradição toponímica portuguesa. Nesse contexto, Paiva tornou-se marcador geográfico associado ao antigo território banhado pelo rio homônimo.

A circulação do sobrenome ultrapassou o território português durante os movimentos de expansão marítima. Famílias identificadas como Paiva passaram a integrar núcleos administrativos, religiosos e militares em regiões coloniais. Conforme observa Ancestry, o sobrenome difundiu-se progressivamente em países influenciados pela presença lusitana, principalmente no Brasil (ANCESTRY, s.d.).

A construção histórica das linhagens familiares também se relaciona à busca por prestígio social. Em estudo sobre memória genealógica, Rodrigues afirma que os sobrenomes exerceram função de continuidade simbólica entre gerações, fortalecendo vínculos familiares e legitimando posições sociais (RODRIGUES, 2024). Essa interpretação permite compreender que o nome familiar não representa apenas identificação civil, mas um elemento de memória coletiva.

No blog Batista Cavalcante, há referência às antigas famílias portuguesas que utilizaram o sobrenome Paiva em contextos ligados à pequena nobreza e à ocupação territorial (BATISTA CAVALCANTE, 2010). O texto destaca que muitos descendentes mantiveram registros orais e documentais para preservar a história familiar.

A genealogia contemporânea passou a valorizar não apenas a ascendência aristocrática, mas também os processos culturais envolvidos na formação das famílias. Segundo Rodrigues apud estudos genealógicos portugueses, a herança nominal constitui um mecanismo de preservação da identidade histórica familiar (RODRIGUES apud ESTUDOS GENEALÓGICOS PORTUGUESES, 2024). Trata-se de uma citação da citação que evidencia a relevância simbólica dos sobrenomes.

A transmissão hereditária do sobrenome Paiva contribuiu para a permanência de tradições familiares em diferentes regiões brasileiras. Em muitos casos, os registros civis, paroquiais e notariais permitiram reconstruir trajetórias migratórias e relações de parentesco. 

A pesquisa também demonstra que o interesse atual pela genealogia cresceu significativamente devido à digitalização documental e ao acesso facilitado aos bancos de dados históricos. Plataformas especializadas passaram a aproximar descendentes de diferentes países, fortalecendo a preservação das memórias familiares.

O sobrenome Paiva representa mais do que uma designação hereditária. Sua trajetória revela conexões entre território, identidade e memória histórica dentro da tradição portuguesa. A expansão do nome ao longo das migrações contribuiu para sua presença em diversas regiões do Brasil, consolidando vínculos culturais que permanecem ativos entre descendentes contemporâneos.

As fontes analisadas demonstram que os sobrenomes exercem importante função histórica ao preservar experiências coletivas, deslocamentos familiares e referências territoriais. A genealogia, nesse sentido, amplia a compreensão sobre pertencimento social e continuidade histórica entre gerações.

A valorização dos sobrenomes familiares tornou-se uma resposta ao distanciamento cultural provocado pela vida moderna. Muitas famílias conhecem apenas fragmentos de sua própria origem, perdendo referências importantes sobre deslocamentos, tradições e experiências que ajudaram a construir sua identidade.

O interesse crescente pela genealogia demonstra que as pessoas procuram recuperar vínculos históricos esquecidos. O sobrenome Paiva ilustra exatamente esse movimento: um nome originado de referência territorial portuguesa que atravessou oceanos, integrou processos migratórios e permanece presente em inúmeras famílias brasileiras.

A preservação documental possui papel decisivo nesse processo. Sem arquivos históricos, registros paroquiais e estudos genealógicos, parte significativa da memória familiar desapareceria silenciosamente. Conhecer a origem de um sobrenome não representa apenas curiosidade pessoal; significa compreender heranças culturais que moldaram diferentes comunidades ao longo do tempo.

Também é importante reconhecer que a genealogia contemporânea deixou de ser exclusivamente ligada à elite. Hoje, famílias comuns buscam reconstruir suas raízes, fortalecendo sentimentos de pertencimento e continuidade histórica.


Algumas genealogias na região Nordeste do Brasil

Oferecemos este breve ensaio genealógico da família Paiva no Rio Grande do Norte, tendo como ponto de partida, Joaquim Pereira de Paiva, nascido aproximadamente em 1880 e se casou com Maria Pinheiro da Silva, ela sendo filha de João Pinheiro da Silva e Gonsalla Maria. Desse matrimônio tiveram 08 filhos.


Com a intenção de ampliar as pesquisas sobre possíveis ascendentes estrangeiros com sobrenome Alexandre na região Nordeste do Brasil, seguem mais alguns dados relevantes:

Bahia: Patrícia Silva Paiva, nascida aproximadamente em 1870 e se casou com Félix Mendes de Brito. Desse matrimônio tiveram 01 filha.

Sergipe: Thereza Paiva, nascida aproximadamente em 1856 e se casou com Justiniano de Mello e Silva, ele sendo filho de José Felix de Mello e Silva e Maria Alexandrina. Desse matrimônio tiveram 10 filhos.

Alagoas: Ayres Fortunato de Paiva, nascido aproximadamente em 1865 e se casou com Maria Antônia de Paiva. Desse matrimônio tiveram 07 filhos.

Pernambuco: Francisco Justino de Paiva, nascido aproximadamente em 1855 e se casou com Vicência Maria da Conceição. Desse matrimônio tiveram 04 filhos.

Paraíba: José Severiano de Paiva, nascido aproximadamente em 1850 e se casou com Jovita Francisca de Barros Cavalcante, ela sendo filha de Teodoro Alves Vieira e Joaquina Maria da Anunciação. Desse matrimônio tiveram 05 filhos.

Rio Grande do Norte: Francisco Avelino de Paiva, nascido aproximadamente em 1870 e se casou com Alcina Liberatina da Silva, ela sendo filha de Joaquim Rodrigues Gondim e Maria Jesuína do Sacramento. Desse matrimônio tiveram 04 filhos.

Ceará: Luísa Gomes de Paiva, nascida aproximadamente em 1855 e se casou com João Gomes da Silva, ele sendo filho de Benedito Gomes. Desse matrimônio tiveram 05 filhos.

Piauí: Francisco Alves de Paiva, nascido aproximadamente em 1875 e se casou com Joana Alves de Sepúvida, ela sendo filha de Joaquim Rodrigues Gondim e Maria Jesuína do Sacramento. Desse matrimônio tiveram 02 filhas.

Maranhão: Josefa de Paiva, nascida aproximadamente em 1868 e se casou com Raimundo Moreira de Sousa. Desse matrimônio tiveram 06 filhos.


Notas de pesquisa

FamilySearch. Trata-se de uma fonte estruturada, voltada para registros históricos e genealógicos, o que garante maior confiabilidade na interpretação do sentido original do nome.

Genera. Desenvolve interpretação sobre a formação dos sobrenomes portugueses e seus vínculos geográficos.

Ancestry. Analisa a difusão internacional do sobrenome Paiva e seus processos migratórios.

BATISTA CAVALCANTE. Explora tradições familiares ligadas às antigas linhagens portuguesas identificadas pelo sobrenome Paiva.

RODRIGUES. Discute memória genealógica, identidade familiar e transmissão hereditária dos sobrenomes portugueses.


Aviso importante

Os dados da árvore genealógica apresentados neste artigo foram extraídos do FamilySearch na data da publicação. Por isso, eventuais alterações feitas depois nos perfis das pessoas citadas na plataforma não aparecerão automaticamente aqui. Este conteúdo registra o estado da pesquisa naquele momento e serve como referência da versão consultada pelos leitores.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Ayres Fortunato de Paiva. Disponível em: >(familysearch.org/pt/tree/person/KNNL-H9Z)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

Francisco Avelino de Paiva. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/GCBQ-VZZ)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

Francisco Alves de Paiva. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/KGMJ-PDZ)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

Francisco Justino de Paiva. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/G3QK-LNN)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

Joaquim Pereira de Paiva. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/G73Y-V66)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

Josefa de Paiva. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GT9P-4S5)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

José Severiano de Paiva. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/9NFT-YJM)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

Luísa Gomes de Paiva. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/LZG2-QXR)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

Origem da família Paiva. Disponível em: >(Origem da família Paiva (Batista Cavalcante))<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.

Patrícia Silva PaivaDisponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/KLX1-Y1F)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

RODRIGUES, Letícia Santos. Caminhos da imigração: Os sobrenomes que contam histórias. 2024. 498 f. Tese (Doutorado em Filologia e Língua Portuguesa), Universidade de São Paulo, 2024. Disponível em: >(Caminhos da imigração: Os sobrenomes que contam histórias (Universidade São Paulo))<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.

Significado do nome Paiva. Disponível em: >(Significado do nome Paiva (Ancestry))<. Acesso em 12 de março de 2026.

Thereza Paiva. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/9JLL-8R9)<. Acesso em 06 de fevereiro de 2026.